Advogado de João de Deus diz não ter acesso a processo: “Assombroso”

Para Alberto Toron, "é inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa"

atualizado 14/12/2018 16:47

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Após ser informado sobre a decretação da prisão de João de Deus, o advogado do médium, Alberto Zacharias Toron, divulgou nota nesta sexta-feira (14/12) criticando o fato de não ter acesso a cópias dos depoimentos prestados pelas vítimas de abuso sexual praticados pelo líder espiritual.

“Que a autoridade judiciária queira impor a preventiva, embora possamos discordar, é compreensível, mas negar acesso aos autos, chega a ser assombroso”, diz um trecho do texto.

O defensor afirmou que na segunda (10) esteve no Ministério Público de Goiás para acessar os documentos, e o pedido foi negado sob argumento da preservação de sigilo. Segundo Toron, “é inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo, no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus”.

De acordo com o advogado, ele esteve em Abadiânia atrás do material e descobriu que o processo havia sido remetido para Goiânia, a fim de que o MP tomasse ciência da decisão. “Sim, é importante que o órgão acusatório tome ciência, mas ninguém se preocupou em disponibilizar uma simples cópia da decisão para a defesa”, reclamou.

A prisão preventiva de João de Deus foi decretada pelo juiz da Vara Criminal de Abadiânia, Fernando Augusto Chacha de Rezende nesta sexta-feira (14/12). Ele é acusado de abuso sexual por pelo menos 450 mulheres de todo o país, inclusive do Distrito Federal e Entorno.

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