Advogado de Heleno diz que “agenda golpista” eram “registros pessoais”

Milanez afirma que a agenda de Heleno, classificada pela PGR como “golpista” e usada como prova contra o general, é uma “caderneta”

atualizado

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1 de 1 Foto colorida de Augusto Heleno no STF - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O advogado Matheus Milanez, que representa o general Augusto Heleno, afirmou, nesta quarta-feira (27/8), em entrevista ao programa Acorda Metrópoles, que as anotações do militar, apontadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como uma “agenda golpista”, eram apenas registros pessoais e nunca foram compartilhadas. Heleno é acusado de integrar uma organização criminosa que teria atuado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

Milanez afirma que a agenda de Heleno, classificada pela PGR como “golpista” e usada como prova contra o general, é “literalmente uma caderneta” e que nunca foi “dividida”.

“Na verdade, essa caderneta é literalmente um apoio à memória. Lembremos que é um senhor de mais de 70 anos — na época já tinha mais de 70, hoje tem 77. É necessário material de apoio para a sua própria memória, esses lembretes e anotações pessoais. Isso foi claramente comprovado”, contou Milanez ao Metrópoles.


Trama Golpista

  • General Augusto Heleno é ex-ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, na gestão de Bolsonaro.
  • Heleno foi ouvido no contexto da ação penal 2.668 que trata da suposta trama golpista para manter o ex-presidente Bolsonaro (PL) no poder, após as eleições de 2022. Ele é um dos oito réus investigados por supostamente tramarem um golpe de Estado no Brasil. O general pertence ao núcleo 1, também chamado de núcleo crucial do caso, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
  • Todos os réus respondem pelos crimes de: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.

O advogado reforçou que a caderneta “nunca foi dividida, nunca foi compartilhada, nunca foi repassada” e que se tratava apenas de “pensamentos privados”.

“Tanto que essa agenda foi encontrada quando a Polícia Federal fez a busca e apreensão numa gaveta, lá no fundo. Ou seja, você não usava aquilo mais. Algo que foi usado no passado, não se usa mais”, apontou Milanez.

Anotações de Heleno

A denúncia da PGR contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, mostra anotações do general Augusto Heleno, então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com diretrizes a serem seguidas para descredibilizar as urnas eletrônicas.

Na residência de Augusto Heleno foi encontrado uma agenda com anotações sobre o planejamento prévio do grupo para fabricar um discurso para descredibilizar as urnas eletrônicas. Heleno definiu algumas diretrizes estratégicas a serem seguidas.

Diretrizes estratégicas:

  • Fazer um mapa com o levantamento das áreas onde o presidente possui aliados confiáveis.
  • Não fazer qualquer referência a “homossexuais, negros, maricas, etc”. Evitar comentários desastrosos e generalistas sobre o povo brasileiro. Ao contrário, exaltar as qualidades do povo: lutador, guerreiro, alegre, otimista.
  • Estabelecer um discurso sobre urnas eletrônicas e votações. “É válido continuar a criticar a urna eletrônica”.

Na residência de Heleno também foram encontrados outros documentos relacionados a supostas inconsistências e vulnerabilidades das urnas eletrônicas, para servirem de base no discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro para levantar dúvidas sobre as urnas.

Ausência de envolvimento

Milanez detalhou ainda que irá apresentar, na audiência, a “ausência de envolvimento completo do General Augusto Heleno em qualquer tipo de trama que houve”.

“Se é que houve algo, o senhor completamente alheio de conhecimento. Não participou, não sabia e não viu”, detalhou o advogado.

O caso é julgado na Primeira Turma do STF, que é composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

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