Ação desmonta quadrilha que lucrou R$ 60 milhões com golpe da pirâmide

Organização criminosa aplicou golpes pela internet em cerca de 1,5 mil pessoas em 12 estados do Brasil; seis pessoas foram presas

atualizado 25/03/2021 22:03

goias carros de luxo apreendidos em operação contra quadrilha que aplicava golpes de pirâmideDivulgação/MPGO

GoiâniaUma quadrilha especializada em golpes tipo pirâmide financeira foi desmontada em uma ação conjunta entre os Ministérios Públicos de Goiás (MPGO) e de Minas Gerais (MPMG). De acordo com a investigação, o grupo teria lucrado R$ 60 milhões aplicando golpes em cerca de 1.5 mil pessoas. Seis pessoas foram presas. As identidades delas não foram reveladas.

Somente os carros de luxo apreendidos na ação são avaliados em R$ 3,5 milhões. Entre eles estão uma BMW de alto padrão e uma Lamborghini.

Segundo o MPGO, a organização criminosa era especializada na prática de crime de pirâmide financeira, contra as relações de consumo e de lavagem de capitais. Os golpes eram aplicados pela internet, por meio de sites de educação financeira.

O grupo atraía vítimas interessadas em fazer investimentos financeiros e as redirecionavam para duas corretoras, que também são investigadas. A quadrilha então recolhia o dinheiro dos investimentos, dizendo que ele seria investido em aplicações nos Estados Unidos, e convertia tudo em criptomoedas e em bens de alto valor.

Para desbaratar a quadrilha, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, 29 mandados de busca específicos para criptoativos e outros seis mandados de prisão. A operação, chamada de Black Monday, teve início em maio de 2020 e atuou em 12 estados, e teve a participação de 220 pessoas, entre promotores, policiais civis e militares.

Corretoras

Foram detectados indícios de que, através dos sites Aprenda Investindo e Investing Brasil, centenas de pessoas, na expectativa de realizar investimentos financeiros, foram direcionadas para as corretoras VLOM e LBLV – o MPMG está apurando se as duas empresas existem legalmente ou são apenas de fachada. Assim, as vítimas realizavam transferências bancárias para diversas pessoas jurídicas e os valores não eram revertidos no desejado investimento.

Em Goiás, a operação contou com a participação de promotores de Justiça, oficiais policiais militares e servidores do MPGO. Foram apreendidos, na cidade de Anápolis, documentos e eletrônicos.

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Educação financeira

Conforme apurado pelo MPMG, o dinheiro das vítimas era convertido em bitcoins e em bens de alto valor. De acordo com o promotor de Justiça Eduardo Machado, do Gaeco do MPMG, foi desbaratado um sistema sofisticado de lavagem de dinheiro, criado a partir da percepção da baixa rentabilidade de investimentos tradicionais. Segundo ele, foram criados sites para propagandear educação financeira.

O contato com a vítima era feito após o acesso ao site, por supostos analistas financeiros, que ofereciam pacotes de investimentos com rentabilidade maior. A promessa era de aplicações nos Estados Unidos. Após a transferência do dinheiro captado, os valores eram dispersados em contas bancárias de várias pessoas jurídicas espalhadas pelo Brasil.

Abrangência

A Operação Black Monday foi desenvolvida também em Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Bahia, Alagoas, Maranhão, Rondônia, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O líder do grupo, que reside em Caruaru (PE), foi localizado e detido na cidade de João Pessoa (PB). Com ele, foram encontrados automóveis de luxo das marcas Lamborghini e BMW. Em Pernambuco, duas pessoas foram detidas em Gravatá e conduzidas à delegacia local.

Em Recife, entre o material apreendido, estavam documentos bancários, R$ 287 mil em espécie e veículos, totalizando um valor aproximado de R$ 600 mil.

Black Monday (segunda-feira negra, na tradução para o português) faz referência ao dia 19 de outubro de 1987, quando ocorreu o pior crash da bolsa de valores da história de Wall Street, em Nova York.

 

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