“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para estreitar cooperação”, diz embaixador

Yang Wanming conversou com os ministros das Comunicações, Fábio Faria, e da Agricultura, Tereza Cristina

atualizado 21/01/2021 12:17

Lotes da Coronavac em avião da FABFábio Vieira/Metrópoles

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, conversou por telefone com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, na quarta-feira (20/1), com o objetivo de tentar acelerar o envio de insumos da China para o Brasil para a produção de vacinas contra Covid-19.

A embaixada do país asiático afirmou que a China está “disposta a trabalhar com o Brasil para estreitar a cooperação mutuamente benéfica”.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, negou, também na quarta-feira (20/1), que problemas políticos tenham atrasado o envio dos insumos e das vacinas da China para o Brasil.

Fábio Faria destacou que as questões referentes ao fornecimento de insumos farmacêuticos para produção de imunizantes são tratadas com seriedade. Além disso, frisou que o governo federal é “o único interlocutor oficial com o governo chinês”.

Tensão com a China

Segundo parlamentares, Araújo disse que não havia qualquer problema político com o país asiático. Ele explicou que a demora para o envio de insumos ocorre pelo excesso de demanda, mas que o Brasil está em contato com a China desde dezembro.

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Embora não trate a situação como um problema, o ministro afirmou que o Brasil está trabalhando em diferentes frentes para resolver a situação, mas não deu qualquer prazo sobre a chegada dos insumos chineses.

As relações entre Brasil e China estão minadas pela postura do governo brasileiro, que proibiu seus ministros de receber Wanming, e por membros do governo ou familiares do presidente criticarem abertamente e reiteradas vezes o país asiático, associando-o ao vírus ou a uma ditadura.

Maior parceiro comercial

A China é o maior parceiro comercial do Brasil há uma década. A despeito disso, o ano de 2020 apresentou novos capítulos do imbróglio diplomático que marca a relação entre os dois países desde a posse de Jair Bolsonaro (sem partido), em janeiro de 2019: críticas públicas à China, chamando o coronavírus de “vírus chinês”, e acusações de “espionagem tecnológica” em relação ao 5G deram o tom desse convívio.

O professor de economia Guilherme Mello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), assinala que o Brasil é mais dependente da China do que o inverso.

“Os produtos que o Brasil exporta para China são commodities, produtos menos sofisticados, que ela pode encontrar alternativas em outros fornecedores e ela já está fazendo isso nos últimos tempos, comprando soja de outros lugares, até mesmo minério de ferro de outros fornecedores”, pontua Mello.

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