*
 

O Green’s já foi um grande sucesso em Brasília. Quando os primeiros self-services de comida “natural” surgiram na capital, a pequena portinha na 302 Norte vivia abarrotada, cheia de gente querendo comer bem e de maneira saudável. E olha que estou falando de 1996.

De lá pra cá, mais de duas décadas se passaram, o mercado deste tipo de restaurante (natural e self-service) cresceu bastante e se diversificou no Distrito Federal, já que o mundo pede comidas mais saudáveis e oferece menos tempo para almoçar.

O Green’s aumentou de tamanho e, hoje, já ocupa quase todo um quarteirão. Sempre gostei da ampla variedade de opções (R$ 54,90, o quilo) para que o cliente fique bem à vontade com a escolha.

Os ingredientes são de primeira linha. O cliente trafega pela parte das folhas e percebe que elas são novinhas, tenras e bem verdinhas. A parte de brotos – como o de feijão e alfafa – também tem frescor.

Porém, o que senti, nas últimas vezes que comi ali, foi a falta de cuidado com o preparo dos alimentos. Todos – absolutamente, todos – os legumes (couve-flor, brócolis, cenoura…) estavam cozidos em demasia. Falta de atenção da cozinha. O atendimento segue bastante eficiente. Sempre tem um garçom para anotar o que se deseja beber.

Em um dos dias que fui, havia três tipos de arroz: branco, integral e um tal de arroz com camarão internacional. Simplesmente seco e sem tempero. A tilápia seguia na mesma toada, o que nos leva a crer que o restaurante não sabe preparar peixes e frutos do mar. O feijão estava completamente sem graça, nada potencializava o sabor. Salpicão sem sal.

Verduras grelhadas ou assadas, como a abóbora e a mandioquinha, são servidas frias. Cadê o cuidado? É inadmissível que um restaurante que se intitula natural trate tão mal legumes, verduras e grãos. Eis o motivo de tanta gente acabar tendo preconceitos contra comida vegetariana.

E por falar em vegetarianismo, de vez em quando, o Green’s aposta em invenções como a paella vegetariana e o charutinho de vegetais. A primeira me pareceu um grande ensopado, já que não tinha arroz. Nunca vi paella sem arroz!"

O segundo era feito com uma folha de repolho embrulhando vegetais sem tempero nenhum. Já fiz esse comentário aqui e em relação a outros estabelecimentos da cidade: os cozinheiros andam com medo de temperar os pratos. Aí os produtos ficam insossos, sem o mesmo potencial de sabor que poderiam oferecer.

Confesso que não entendo o porquê de servir ceviche em um self-service. Será que é por que (ainda) está na moda? Os cozinheiros têm de entender que esse prato deve ser feito na hora e consumido logo em seguida, já que o ácido do limão cozinha o peixe. O que se via no buffet do restaurante estava mergulhado há muito tempo em uma piscina de limão e temperos – o que torna o sabor do pescado extremamente ácido e sua textura desagradável.

O que salvava, na minha última visita, era o frango, que incrivelmente estava bem temperado e macio, assim como a batata-doce (com boa consistência e deliciosa). Para marombeiros, era a pedida do dia.

No bufê de doces (R$ 64,00, o quilo), são 10 opções para os que gostam muito de açúcar. Tortas tradicionais como de abacaxi, banana e outras variações em torno do chocolate. Haja açúcar!

Em vez de inventar moda, o Green’s poderia servir, por exemplo, os vegetais no ponto certo da cocção: al dente. Ou apostar em pratos vegetarianos consagrados na culinária mundial e brasileira, tais como ratatouille, caponata, couscous (marroquino ou paulista), berinjela à parmegiana, quiabada, angu, dentre outros. Isso, por si só, já seria o suficiente para criar nas pessoas a vontade de ir a qualquer local. Saber que, mesmo na correria, é possível gozar de um tempo agradável com uma comidinha saudável, gostosa e bem temperada. E não se esqueçam das 32 mastigadas.

Cortês sim; omissa, não.

Devo ir?
Há self-services melhores na cidade

Ponto alto:
Variedade de opções e boa música ambiente

Ponto fraco:
Ponto de cocção dos vegetais e falta de tempero

Green’s
CLN 302 bloco B loja 15. (61) 3326-0272

 

 

COMENTE

green's
comunicar erro à redação

Leia mais: Ao