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Em assembleia na tarde desta sexta-feira (9/9), policiais civis do Distrito Federal decidiram manter a Operação Legalidade. Sem avanço nas negociações com o Governo do DF, a categoria votou por continuar no movimento iniciado em 4 de julho que prejudica as investigações em curso. Eles reivindicam o reajuste dos salários para igualá-los aos pagos pela Polícia Federal. Na próxima semana, a categoria vai realizar um ato no Complexo da PCDF, ao lado do Parque da Cidade, para pressionar o diretor-geral, Eric Seba, a fechar as delegacias que estão funcionando sem delegados.

O encontro dos policiais ocorreu em frente ao Palácio do Buriti, logo depois de uma reunião de conciliação entre o GDF, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) e a Associação dos Delegados de Polícia do DF (Adepol), onde trataram sobre a manifestação que os policiais fizeram na abertura das Olimpíadas no DF, mesmo depois de a Justiça ter decretado a ilegalidade do movimento.

Além de manter o movimento, os policiais ainda votaram o fechamento dos postos de identificação que tenham menos de três peritos papiloscopistas; a criação de um “criminômetro” e um “mortômetro” para exibir diariamente o número de mortes e crimes registrados no DF; a colocação de caixões de madeira e coroas de flores nas delegacias exibindo o número de mortes violentas na região e o questionamento na Justiça sobre a competência do GDF em legislar sobre remuneração dos policiais civis do DF.

Impasse
Desde que a Operação Legalidade começou até o fim de agosto, segundo levantamento feito pelo Sinpol, pelo menos 50 mil depoimentos que dariam sustentação a pedidos de prisão deixaram de ser colhidos. Isso porque, nas delegacias, os policiais foram instruídos pelo movimento a não fazerem relatórios ou assinarem boletins de ocorrência de outras forças de segurança.

No mês passado, agentes e delegados da PCDF assinaram um termo se recusando a assumir cargos de confiança. Os que já ocupavam funções, por sua vez, assinaram documento entregando os cargos.

A última proposta apresentada pelo GDF, na segunda-feira (5/9), previa aumento de 32,5% nos próximos cinco anos, divididos da seguinte forma: 7% em outubro de 2017; 7,5% em outubro de 2018; 8,5% em outubro de 2019; 5% em outubro de 2020; 4,5% em outubro de 2021. Os servidores da PCDF querem os mesmos 37% oferecidos pelo governo federal à Polícia Federal.

Ânimos acirrados com a PM
O movimento da PCDF tem acirrado os ânimos com a Polícia Militar. A PM anunciou uma megaoperação nesta sexta-feira (9/9), com o objetivo de reduzir os índices de criminalidade e o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol) divulgou uma lista com orientações a serem seguidas à medida que os presos forem chegando às delegacias.

O registro das ocorrências de casos trazidos durante a operação só será realizado sob condições. E, em caso de não se confirmar crime nas prisões efetuadas, o sindicato recomenda que os militares sejam alvos de uma denúncia por “abuso de autoridade”.

A lista incluiu outras recomendações e mostra a ferida exposta na relação entre as duas principais forças da segurança pública brasiliense. Para a apreensão de drogas, por exemplo, vai ser exigida a emissão de laudo preliminar positivo do entorpecente. Na avaliação dos policiais civis, a operação da PM ocorre em hora imprópria, uma vez que a maioria das chefias entregou os cargos.

 

 

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