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Policiais civis desafiam a Justiça e fazem protesto no Mané Garrincha

Greve foi considerada ilegal. Categoria alega que sindicato não foi notificado e, por isso, continua parada reivindicando reajuste salarial

04/08/2016 15:06, atualizado 04/08/2016 15:46
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Michael Melo/Metrópoles
Policiais civis desafiam a Justiça e fazem protesto no Mané Garrincha

Alegando não terem sido notificados, policiais civis em greve se reuniram no Parque da Cidade e caminharam rumo ao estádio Mané Garrincha, que recebe nesta quinta-feira (4/8) rodada dupla no primeiro dia olímpico do futebol masculino. Por volta das 15h30, cerca de 1.000 manifestantes participavam do protesto, segundo dados da Polícia Militar. Nas primeiras horas do dia, a Justiça decretou a ilegalidade da paralisação da categoria, por 48 horas, e proibiu a realização de reuniões e manifestações dos servidores próximos à arena brasiliense.

Gritando palavras de ordem, os policiais se mostraram organizados, embora nenhuma liderança do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol) fosse encontrada no evento. Até o início da tarde, o sindicato não havia sido notificado da decisão judicial, que impôs multas pesadas, de até R$ 500 mil, caso as determinações fossem desconsideradas.

“Vamos mostrar para o governador quem é a polícia de Brasília”, gritam os manifestantes. Ao som de megafones, exigem: “Assina, assina”, numa referência à isonomia salarial com a Polícia Federal. “A manifestação já estava prevista, mas as Olimpíadas vão trazer visibilidade para o que estamos reivindicando. De certa forma, coloca em risco a população, mas é uma forma de chamar a atenção do governador”, disse Francisco Pereira de Sousa, presidente da Associação Geral dos Policiais Civis.

Ele disse saber da decisão da Justiça que considerou a greve ilegal e proibiu manifestações perto do estádio, mas garantiu que não foi notificado: “Não existe proibição sobre lugar para manifestação. A Constituição permite que seja em qualquer lugar, desde que seja um movimento pacífico”

Michael Melo/Metrópoles

Reunião
Enquanto os policiais se reuniam para a manifestação, foi realizada pela cúpula da Polícia Civil uma reunião em que ficou definido que os agentes das divisões de operações Especiais e Aéreas voltarão a fazer a segurança das delegações nos hotéis. As ações serão retomadas às 8h deste sábado (6). As delegacias do estádio e a 5ª DP (área central de Brasília) vão funcionar normalmente a partir de hoje, durante o período dos Jogos Olímpicos.

A mobilização na direção-geral da corporação se deu após o anúncio de que todo o efetivo da DOE, que estava escalado para fazer a segurança das delegações hospedadas no Hotel Golden Tulip, deixou seus postos nesta manhã.

A escolta aérea desta quinta (4) também foi suspensa. A secretária de Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, disse que as escoltas dos times não foi prejudicada, pois a função seria desempenhada, desde o início, por policiais militares.

Paralisação
Em assembleia na tarde de quarta-feira (3/8), a categoria decidiu paralisar as atividades por 48 horas, a partir das 8h de quinta. A categoria reivindica reajuste salarial e reclama do efetivo. Hoje, são cerca de 4,5 mil policiais. O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) afirma que o déficit é de 50%. Perícias e flagrantes não serão feitos durante o movimento.

Os policiais, que alegam ter isonomia com a Polícia Federal há 20 anos, estão em negociação com o GDF há mais de um mês. Em reunião na terça (2), o governo ofereceu aumento escalonado: 7% em outubro de 2017; 10% em outubro de 2018; e 10% no mesmo mês de 2019. Já no fim da tarde, durante um novo encontro, surgiram outras duas propostas. A primeira estipulava 23% em agosto de 2017; 4,75% em janeiro de 2018 e 4,5% em janeiro 2019. Na outra sugestão, os percentuais são de 10% em janeiro de 2017; 13% em agosto de 2017; 4,75% em janeiro de 2018 e 4,50% em janeiro de 2019.

Por meio de nota, o GDF disse que “embora reconheça a legitimidade do pleito de isonomia com a Polícia Federal, o governo de Brasília, diante das atuais condições econômicas do país e do Distrito Federal, não possui condições financeiras de arcar com os índices e prazos encaminhados pelo governo federal ao Congresso Nacional”. O Buriti disse ainda que vai “retirar a proposta apresentada à Polícia Civil”, mas “manterá aberto o diálogo já iniciado com representantes” da categoria.