Começa a 19ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília

Com muita cor e pedidos do fim da homofobia, mais de 15 mil pessoas participam do evento

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As armas são roupas coloridas, purpurina e bandeiras. O grito é por leis anti-homofobia, contra o presidente interino Michel Temer e em solidariedade às vítimas do tiroteio em uma boate gay nos Estados Unidos no último dia 12. Segundo a Polícia Militar, 15 mil pessoas aguardam a saída da 19ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília em frente ao Congresso Nacional.

A bandeira principal do evento este ano é a regulamentação da Lei distrital nº 2615/2000, conhecida como Lei Maninha, que estabelece punições para quem discrimina LGBTs em espaços comerciais. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) é um dos autores da lei, que foi aprovada em 2013. “Faz 16 anos que lutamos pela lei. A rua é o lugar onde o gay está desprotegido”, disse Michel Platini, um dos organizadores da parada.

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Ana Vitória Silva, 18 anos, foi sozinha à parada na sua estreia para celebrar sua liberdade. “Saí do armário no ano passado e fui expulsa de casa. Sofri preconceito da minha família e dos meus amigos. Estar aqui simboliza para mim a liberdade de poder ser quem eu sou”, disse.

Entre uma e outra batida de Ivete Sangalo e “I Will survive”, os participantes lembravam das vítimas de Orlando e entoavam gritos de “Fora Temer”. As bandeiras pretas simbolizavam o luto.

Jackson Marinho se enrolou em uma bandeira colorida e saiu de casa só para celebrar. “Adoro tudo isso!”, contou. “Venho pela liberdade, por ser eu mesmo nesse mundo de gente”.

 

Pesquisa
A discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no Distrito Federal caiu. Essa é a conclusão de um levantamento inédito feito pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de Brasília divulgado na última sexta-feira (24/6). A comparação foi feita com um estudo produzido em 2007, quando apurou-se que 64% dos entrevistados haviam sido vítimas de discriminação nos dois anos anteriores. Na pesquisa feita este mês, o mesmo índice caiu para 51,4%. 

O levantamento também demonstrou que entre os LGBT há diferenças. Travestis, transexuais e transgêneros são o segmento que mais relatou ter sofrido discriminação: 76,47%. Outro dado preocupante encontrado pelo estudo é o alto nível de casos que não são denunciados. Dos entrevistados que relataram ter sido alvo de preconceito, 87% afirmaram não ter feito qualquer relato oficial, seja policial, alguma autoridade pública ou responsáveis por ambientes de trabalho ou estudo. Para Amanda Ayres, da Strategos, viu-se uma realidade que precisa ser mudada. “Os indivíduos discriminados tendem a se omitir.”

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