Um em cada dois homossexuais do DF já foi alvo de discriminação
Pesquisa divulgada pela Associação da Parada do Orgulho LGBTS de Brasília ouviu 375 pessoas e fez comparativo inédito no país. 19ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília está marcada para este domingo (26/6)

A discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no Distrito Federal caiu. Essa é a conclusão de um levantamento inédito feito pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de Brasília. A comparação foi feita com um estudo produzido em 2007, quando apurou-se que 64% dos entrevistados haviam sido vítimas de discriminação nos dois anos anteriores. Na pesquisa feita este mês, o mesmo índice caiu para 51,4%. Queda de 20%.
Com coordenação geral do ativista Welton Trindade, da Associação da Parada, e coordenação técnica da Strategos Empresa Júnior de Consultoria Política, a pesquisa entrevistou 375 LGBT em bares, festas e clubes arco-íris da capital. A aplicação ficou a cargo de grupo de voluntários. O financiamento foi obtido por meio de doações.

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O levantamento também demonstrou que dentre LGBT há diferenças. Travestis, transexuais e transgêneros são o segmento que mais relatou ter sofrido discriminação: 76,47%. Outro dado preocupante encontrado pelo estudo é o alto nível de casos que não são denunciados. Dos entrevistados que relataram ter sido alvo de preconceito, 87% afirmaram não ter feito qualquer relato oficial, seja policial, alguma autoridade pública ou responsáveis por ambientes de trabalho ou estudo. Para Amanda Ayres, da Strategos, viu-se uma realidade que precisa ser mudada. “Os indivíduos discriminados tendem a se omitir.”
Família
Caminhos importantes para a superação da discriminação contra LGBT são apontados em outra pergunta. A questão sobre quem discriminou encontrou os seguintes índices de respostas: 76% foram desconhecidos, 44% foram parentes, e 36% colegas de escola ou faculdade. Era possível escolher mais de uma alternativa aqui para relatar um ou mais casos de atos preconceituosos sofridos.
Para Trindade, esse índices devem servir de base para a elaboração de políticas públicas e ações da sociedade civil. “Ser destratado por desconhecidos é falta de civilidade, no mínimo, e de falta de respeito ao direito do outro. E encontrar família no segundo lugar coloca o desafio de falar mais sobre a diversidade dentre parentes. Sobre o ambiente de estudo, há de ser mais efetivo em ações educacionais para mudar esse cenário”, destaca
Festa contra a intolerância
Neste domingo (26/6), será realizada a 19ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília, a partir das 14h, com saída em frente ao Congresso Nacional.


