Tiago Pavinatto

Zema responde a Gilmar Mendes: “Eu sou muito seguro da minha sexualidade”

O ex-governador de Minas Gerais comentou as últimas troca de farpas com o ministro do STF Gilmar Mendes

atualizado

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1 de 1 o-ex-governador-de-minas-gerais-romeu-zema-concede-entrevista-ao-metropoles-9 - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Em entrevista concedida pelo ministro Gilmar Mendes ao programa JR Entrevista, que foi ao ar na noite de ontem, quarta-feira (22/4), na Record News, o decano do Supremo Tribunal Federal não poupou sarcasmo ao disparar contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Partido Novo):

“Ele fala um dialeto próximo do português. Muitas vezes a gente não o entende, não é? É? Eu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim. Mas é, de qualquer forma, naquilo que foi inteligível, é importante que a procuradoria, a polícia federal e o próprio ministro Alexandre aprecie.”

Nesta quinta-feira (23/4), Zema reagiu em suas redes sociais. Em vídeo aberto, o presidenciável do Partido Novo defendeu que a sua linguagem é condizente com a do “brasileiro simples” que não entende os atos de um ministro que recorre “ao autoritarismo para censurar aqueles que criticam”.

No final da tarde de hoje, conversei com Romeu Zema e Eduardo Ribeiro, presidente nacional do Partido Novo, acerca do episódio. Ribeiro relatou que aliados e advogados sugeriram que Zema ingressasse, no STF, com uma ação penal privada de injúria racial prevista no artigo 2º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989:

“Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.”

A pena é de 2 a 5 anos de reclusão mais multa.

Conforme o artigo 1º da citada lei, o racismo consiste em uma conduta pessoal de discriminação ou preconceito em relação a “raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Por força de norma constitucional, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível.

Em favor da ação penal, os advogados do presidenciável mineiro argumentaram que, na referida entrevista concedida por Gilmar, o ataque a Zema configura conduta discriminatória tipificada na espécie “procedência nacional”. Para eles, “uma vez que a manifestação crítica de Zema se deu dentro das normas gramaticais de forma coloquial, Gilmar Mendes discriminou, de maneira gratuita e criminosa, o sotaque característico do povo mineiro”.

Todavia, Romeu Zema se opôs à medida judicial sugerida e garantiu que não deve processar Gilmar: “Na qualidade de político e, especialmente, de democrata, eu jamais acionaria, na Justiça, qualquer pessoa pelo fato de ter me criticado. A liberdade de expressão, em uma democracia de verdade, dá a qualquer pessoa o direito de criticar e expressar a sua indignação contra qualquer homem público, seja ele agente público ou político. Eu sou um agente político. Eu sou um democrata. Meu dever é aguentar qualquer tipo de crítica, inclusive essa que tira sarro do meu sotaque, do qual muito me orgulho.”

Estávamos quase encerrando a nossa conversa quando as colegas de Metrópoles Manoela Alcântara e Marília Ribeiro publicaram entrevista exclusiva com o Ministro Gilmar Mendes, na qual voltou a provocar Romeu Zema. Aos meus dois interlocutores, então, li o seguinte trecho da entrevista que acabara de ir ao ar:

“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão, é só isso, é isso que precisa ser avaliado”.

 

Zema não se exaltou. “Rapaz, eu não vou conseguir falar de proposta pro Brasil desse jeito”, afirmou com bom humor.

Compartilhei o link da matéria e voltei a ler o mesmo trecho da entrevista. Zema fez, por fim, o seu comentário:

“Olha, Pavinatto… Você é gay assumido e é um homem de bem. Já viu homem de bem ser bandido assumido? Eu gostaria de dizer pro ministro Gilmar que ele pode fazer o bonequinho que for meu. Pode fazer boneco do Zema homossexual, porque eu sou muito seguro da minha sexualidade; eu não tenho preconceito nenhum e eu sei que não sou gay pra um boneco me ofender. Pode até fazer boneco de Zema roubando dinheiro, porque eu sei que eu nunca roubei nada na minha vida e não vai ser um boneco que vai me ofender. Só não acho correto o ministro comparar homossexual com ladrão e dizer que é tudo ofensivo.”

Veja a íntegra da entrevista do Gilmar Mendes:

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