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Manoela Alcântara

Gilmar cita pesquisas e questiona narrativa de que STF ameaça democracia

Decano afirma que Corte enfrentou militares e reforça papel na defesa da democracia

23/04/2026 18:17, atualizado 23/04/2026 18:30
KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo
Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é entrevistado pelo colunista Paulo Cappelli e a repórter Manoela Alcântara no estúdio Metrópoles

O ministro Gilmar Mendes afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) atua em defesa da democracia, ao comentar pesquisas que indicam que parte da população vê a Corte como contrária ao regime democrático.

Em entrevista ao Metrópoles, concedida às jornalistas Manoela Alcântara e Marília Ribeiro, na tarde desta quinta-feira (23/4), Gilmar pontuou que também cabe a ele analisar e compreender levantamentos que refletem a percepção da população sobre o trabalho do Supremo.

“Temos que olhar. Sempre que houver pesquisa, nós temos que ler pesquisa e tentar entendê-las. Eu sempre digo: há fotografias e filmes. Recentemente, vocês seriam [imprensa] capazes de revelar pesquisas dizendo que o tribunal é fundamental para a democracia. Agora é o tribunal que está ameaçando a democracia. Há um pouco de esquizofrenia nisto”, disse.

O decano prosseguiu: “Então, é preciso olhar com uma certa consideração crítica. Foi o tribunal que enfrentou os militares. Foi o tribunal que colocou os militares na cadeia. Generais nunca tinham ido para a cadeia no Brasil. O presidente da República nunca tinha ido para a cadeia no Brasil. E é esse tribunal que ameaça a democracia?”.

O comentário ocorreu após pesquisa do Datafolha indicar que a população não confia no STF e que, para 75% dos entrevistados, a Corte tem “poder demais”.

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Código de Ética

Gilmar também ressaltou, em entrevista, que não se opõe à iniciativa de um Código de Ética para ministros do STF, mas ponderou que houve debates internos sobre a oportunidade de discutir o tema neste momento.

“Nada contra a possibilidade [do Código]. A questão que suscitou os debates internos no Supremo foi a da oportunidade desse debate neste momento: se, de fato, era a ocasião correta ou se havia até um oportunismo na proposta”, disse o decano.