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O governo de Michel Temer (PMDB) vai começar na esteira de uma crise que se arrasta há meses e tragou tanto a política quanto a economia para um limbo do qual é difícil imaginar a saída. O peemedebista recebe as chaves do Palácio do Planalto graças à votação do Senado que decretou o afastamento de Dilma Rousseff por até 180 dias.

Os ares serão de novidade ou de mais do mesmo? O notório fisiologismo do PMDB dará vez à modernidade ou apenas repetirá as velhas práticas que alimentaram a insatisfação popular com políticos ao longo dos últimos anos?

Michael Melo/Metrópoles

Michel Temer assume a Presidência da República de forma interina

Fato é: a gestão do peemedebista terá grandes desafios pela frente. Enquanto promete pacificar a economia, ele precisará enfrentar um cenário de pressão política e da opinião pública. Será que ele conseguirá virar esse jogo?

Confira motivos para o governo Temer dar certo e outros pelos quais pode naufragar.

 

Guí Prímola e Joelson Miranda/Metrópoles

Economia
Michel Temer deu entrevistas anunciando que a economia será tema central do governo. O nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles vai assumir a Fazenda.

No documento “Ponte para o futuro”, o PMDB deu sinais de que pretende implementar um plano econômico mais liberal, com redução de impostos e diminuição de ministérios.

Relações políticas
Temer foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes (1997, 1999 e 2009). Por isso, a expectativa é de que a relação com o Congresso seja mais pacífica do que na gestão Dilma Rousseff.

O peemedebista estuda ir ao Congresso e apresentar pessoalmente a deputados e senadores as prioridades do governo.

Reforma ministerial
Segundo o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que vai assumir o Ministério do Planejamento, o governo Temer pretende reduzir pelo menos 10 ministérios. Atualmente, são 32 pastas na Esplanada.

Lava jato
Michel Temer deu declarações de que não pretende interferir na Lava Jato. Sob suspeita de que negociaria um acordão para livrar o PMDB das investigações, o presidente interino pretende ir à TV para garantir que a operação continuará.

Guí Prímola e Joelson Miranda/Metrópoles

Antagonismo de peso
O Partido dos Trabalhadores, junto a outras legendas de esquerda, prepara uma forte oposição ao governo Temer. Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, afirmou: “Faremos uma oposição firme, mas não o que eles fizeram. Não vamos agir para provocar instabilidade econômica”.

Impeachment
Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara foi obrigada a aceitar um pedido de impeachment de Temer. Apesar de ser um fator de batalha política, é improvável que a matéria prospere.

O procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, recomendou que o plenário do Supremo derrube a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio de Mello.

Contas eleitorais
O presidente interino foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por doações de campanha acima do limite legal, o que o deixa inelegível por oito anos.

Além disso, as contas da chapa Dilma-Temer serão analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Caso sejam reprovadas, Temer pede o cargo em definitivo, assim como a petista.

Funcionalismo público
O grupo que assessora a formação do governo Temer estuda rever o reajuste salarial negociado com a equipe de Dilma Rousseff no ano passado, por conta do impacto nas contas públicas.

A medida, no entanto, enfrenta forte resistência entre os servidores.

Leis trabalhistas
Apoiadores do governo Dilma denunciam possíveis flexibilizações na CLT. No documento “Ponte para o futuro“, o PMDB defende “permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos”.

Conservadorismo
Michel Temer parece inclinado a ganhar o apoio de setores mais conservadores da sociedade. O presidente interino apareceu ao lado de Marco Feliciano, em vídeo que pede oração.

Ele também cogitou colocar um pastor no Ministério da Ciência e Tecnologia. Por fim, decidiu que Gilberto Kassab (PSD-SP) vai assumir a pasta, que será unida ao Ministério das Comunicações.

Impostos
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apoiador de Temer, garante que não haverá novos impostos. No entanto, colaboradores do presidente interino reconhecem que a volta temporária da CPMF passa pela cabeça do próximo governo.

Lava jato
A força-tarefa trabalha para ampliar as investigações a políticos do PMDB. Nomes escolhidos para o ministério de Temer estão sob a mira do Ministério Público e da Polícia Federal, como Romero Jucá.

 

 

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