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Três dos seis políticos do Distrito Federal incluídos na lista de Janot receberam R$ 420 mil em doações da Odebrecht nas eleições de 2014. O valor se refere à soma dos repasses declarados à Justiça Eleitoral por Agnelo Queiroz (PT), José Roberto Arruda (PR) e Robério Negreiros (PSDB). Além deles, o procurador-geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra inquérito contra Tadeu Filippelli (PMDB), Gim Argello (sem partido) e Geraldo Magela (PT).

A lista é fruto de delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht, firmadas com o Ministério Público Federal (MPF). Entre o trio, o que recebeu a maior fatia foi o ex-governador Agnelo Queiroz, que, em 2014, disputou a reeleição. A empreiteira repassou R$ 200 mil ao petista, segundo consta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A transferência eletrônica ocorreu no dia 22 de agosto, menos de dois meses antes do pleito. No total, Agnelo declarou ter recebido R$ 16.651.626,02 em doações de campanha. Apesar do custo alto da empreitada política e de ter a máquina na mão, o ex-governador não conseguiu passar para o segundo turno.

O segundo mais agraciado pela Odebrecht foi José Roberto Arruda. Antes de abrir mão da eleição por problemas com a Justiça Eleitoral, o ex-governador recebeu um depósito, em espécie, no valor de R$ 170 mil da direção regional do partido, que teve como doador originário a construtora.

O repasse data de 9 de setembro, quatro dias antes de Arruda entregar a cabeça de chapa para Jofran Frejat. O total de receitas na declaração eleitoral do ex-governador contabiliza R$ 4.177.971,10. A chapa chegou a ir para segundo turno, mas não saiu vitoriosa. Perdeu para Rodrigo Rollemberg (PSB).

Deputado distrital eleito, Robério Negreiros abocanhou R$ 50 mil da Braskem, empresa controlada pela Odebrecht e cujos ex-executivos também firmaram delações premiadas com o MPF. O valor total foi repassado, de forma fracionada, ao então peemedebista.

De acordo com o TSE, uma transferência eletrônica foi feita para Robério no valor de R$ 20 mil, em 24 de setembro de 2014. O outro pagamento da Braskem, esse em cheque, ocorreu três dias antes da eleição, no valor de R$ 30 mil. A quantia foi destinada a ele por meio do partido. Atualmente no PSDB, Robério declarou ter investido R$ 796.637,81 para conseguir a reeleição na Câmara Legislativa.

Na lista de Janot

 

 

Ex-vice-governador do DF e atual assessor especial de Michel Temer, Tadeu Filippelli não tem registro de prestação de contas no site da Justiça Eleitoral no período analisado. No entanto, muito ligado ao hoje presidente da República, o peemedebista era uma importante peça para a articulação política e arrecadação eleitoral. Na campanha de 2014, ele concorria, ao lado de Agnelo Queiroz, na tentativa de recondução ao Palácio do Buriti.

Preso e condenado pela Lava Jato, o ex-senador Gim Argello não tem registros de doação da Odebrecht ou da Braskem para a campanha ao Senado. O ex-presidente do PTB-DF só apresentou a prestação de contas em março de 2016, um mês antes de ser preso no âmbito da Operação Lava Jato. A campanha dele custou R$ 1.441.580.

Geraldo Magela também concorreu ao Senado, em 2014. Nas contas de campanha apresentadas ao TSE, não há sinal de recebimento de doação das empreiteiras pelo ex-secretário de Habitação. As receitas totais do petista referentes ao pleito contabilizaram R$ 3.938.960,93.

Repasse astronômico
Os conteúdos das delações dos executivos da Odebrecht ainda estão sob segredo de Justiça. Mas o procurador Rodrigo Janot pediu ao ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo, a retirada do sigilo desse material, o que deve causar preocupação especialmente aos políticos cujos pedidos de abertura de inquérito foram entregues ao STF.

No capítulo mais recente e aterrorizante da Lava Jato, Marcelo Odebrecht narra a negociação de uma doação vultosa ao PMDB, partido de Filippelli: R$ 10 milhões. Então vice-presidente, Temer teria pedido apoio financeiro ao executivo durante um jantar no Palácio do Jaburu.

O assunto teria sido tratado entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ex-diretor Institucional da empreiteira, Cláudio Melo Filho. De acordo com delação do executivo, parte do dinheiro seria repassado via caixa 2.

O outro lado
Melo Filho confirmou o repasse de R$ 50 mil para a campanha de Robério. Ao Metrópoles, o deputado distrital negou haver ilegalidade na doação. “Meu nome foi citado por uma pessoa que não conheço (Cláudio Melo Filho), relatando uma conversa que não veio ao meu conhecimento, sobre uma doação feita ao PMDB”, afirmou o distrital. “O que eu sei é que esse valor citado por ele, de fato, veio do partido para minha campanha. Mas foi devidamente contabilizado nas contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)”, garante o distrital.

A reportagem também tentou contato com outros dois citados sobre os repasses feitos pela Odebrecht, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Os tentáculos da construtora no DF envolvem os seis políticos e construções milionárias, repletas de pendências que chamaram atenção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), da Polícia Civil e do Ministério Público. No centro das suspeições, estão o Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga, e o Estádio Mané Garrincha.

 

 

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