Doutor Drauzio e a “cura” de um país embrutecido

Como o abraço do médico e escritor incentiva o Brasil a ir em busca da delicadeza perdida

atualizado 11/03/2020 11:42

Abraço de doutor Drauzio Varella e SuzyReprodução/Fantástico

Tudo poderia ser bem simples como um abraço do doutor Drauzio, nem precisaria ser filmado, bastaria que acontecesse agora mesmo. Nunca fomos tão brutos nesse país, os bons tratos viraram pontapés, na vida real ou nas redes virtuais.

Sim, eu vi, você não conseguiu segurar as lágrimas, mesmo embrutecido(a) pelo tempo, suspendeu por instantes a macheza e o preconceito e respeitou as diferenças. Você foi grande, amigo, quem sabe não venha daí uma nova fase.

Não tenha medo de ser piegas, como essa crônica, vamos em busca da delicadeza perdida, somos todos “reeducandos” por algumas passagens de grosseria nas relações familiares, amorosas ou sociais.

Não, não mude de assunto, eu insisto, um replay na cena do abraço do doutor Drauzio – nem que a gente chore de novo –, repare que o médico trata como gente, com dignidade, quem foi largado pela família e recebeu das autoridades apenas o carimbo na testa de “lixo humano”.

A Suzy narrava as suas memórias da rua e do cárcere em São Paulo, oito anos sem visitas, apagada dos álbuns de família e dos retratos dos amigos. “Solidão, né, minha filha”, disse o doutor Drauzio, antes do abraço de domingo.

Em tempos de jogo bruto com os “feios, sujos e malvados”, o jornalista Paulo Werneck lembrava ontem no Twitter, a partir da mesma reportagem do Fantástico, de outro homem de boa vontade, o sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho, o criador da Ação da Cidadania contra a Fome.

Betinho é personagem da música O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), que serve de trilha e assobio para o fim desta coluna: “Meu Brasil/ que sonha com a volta do irmão do Henfil/ de tanta gente que partiu/ num rabo de foguete”.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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