Novela Segundo Sol evidencia a necessidade da Visibilidade Lésbica

Discussões em torno da representatividade do casal entre mulheres será tema de evento em Brasília

atualizado 27/08/2018 15:08

Globo/Reprodução

Para comemorar o Dia da Visibilidade Lésbica, celebrado nacionalmente no dia 29 de agosto, haverá o lançamento da Cole-sã Escrevivências, um conjunto de 10 obras de autoras lésbicas ou bissexuais da cidade. É importante que este evento aconteça justamente em meio a um debate sobre a representação da lesbiandade na novela O Segundo Sol.

O lançamento faz parte da Plena!, evento de divulgação da produção cultural LGBTQI+ do DF. As atividades serão de 26 de agosto a 16 de setembro, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) e no Foyer do Teatro Nacional.

A coleção, apelidada de bonde LTB, homenageia a escritora Conceição Evaristo e seu conceito de escrevivências. A iniciativa tem apoio da Padê Editorial – editora artesanal de Brasília especializada em autoras negras e/ou LGBTQI –, Quanta!, Coturno de Vênus, Pop’Up Drag, Instituto Arte Memória Cultura LGBT e Distrito Drag.

Além do lançamento das 10 obras, acontece ainda oficina de beleza, painéis sobre a memória e história da cultura LGBTQI+ no DF e oficinas de capacitação de produtos da Secretaria de Cultura (como Edital Conexões, Editais FAC, CEAC, contratação artística e elaboração de projeto).

Representatividade duvidosa
A história do casal de lésbicas de O Segundo Sol tem sido considerada uma forma de invisibilização das relações entre duas mulheres. As duas são próximas de um casal hétero e o homem, sem conversar com sua esposa por ela ser patologicamente ciumenta, doa o sêmen às amigas. Como vem sendo típico das produções nessa circunstância, o doador e a mãe “geradora” acabam se envolvendo emocionalmente.

As reclamações primeiro geraram protestos das pessoas bissexuais, dizendo que as críticas estavam invisibilizando uma vivência bi. No entanto, a personagem Maura, desde o começo da trama, foi apresentada como lésbica.

Entendo que a produção da novela espere do público apenas a aceitação da sequência dos fatos, mas não dá para negar a frustração na comunidade LGBTQI. Afinal, isso ocorreu em praticamente todas as novelas anteriores do João Emanuel Carneiro e de outros escritores. A abordagem nunca é a de uma vivência bissexual, mas sim de uma pessoa homossexual que se envolve com alguém do gênero oposto ao da sua orientação.

Posso dar um exemplo de caso muito bem sucedido em abordagem de bissexualidade. A personagem de Bruna Marquezine na série Nada Será Como Antes, em que ela se envolvia com dois irmãos, um homem e uma mulher, ao mesmo tempo.

Gostaria de deixar uma sugestão revolucionária para as próximas novelas: que tal um casal de lésbicas viverem um triângulo amoroso em que uma delas se apaixona por outra mulher? Já pensou?! Nunca vi isso numa novela. Talvez ninguém pensou nisso antes! É só mais um exemplo da necessidade do dia da Visibilidade Lésbica.

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