Copa do Mundo 2018: humor tem sido resposta à LGBTfobia na Rússia

Declaradamente contra o direito das minorias, o país-sede tem sido alvo de engraçadas campanhas de ativistas

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atualizado 18/06/2018 18:23

Apesar de não ser uma pessoa ligada em futebol, percebi que a Copa do Mundo começou. Nada contra o evento em si, mas cultivo algumas desconfianças em relação à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e não consigo disfarçar o ranço do país- sede, a Rússia, nação cuja LGBTfobia faz parte da política oficial.

Toda vez que uma reportagem sobre a Rússia se propõe a apresentar a cultura local e ignora o ódio aos LGBTs, já me sobe um ódio. Ou quando usam a expressão “homossexualismo” – terminando de me matar de raiva.

Cogitei simplesmente boicotar os jogos. Dar ibope para qualquer coisa relacionada a esta Copa me deixava realmente desgostoso. No entanto, meus brios se tranquilizaram depois de ouvir uma simples pergunta: Qual é a diferença entre o Brasil, o país que mais mata LGBTs no mundo, e a Rússia?

A questão não é tão simples, pelo contrário. O quadro parece muito mais complexo. Aceitei que compartilhar um momento de confraternização com meus amigos seria algo bom para mim e me isolar durante os momentos dos jogos não faria diferença para a Copa na Rússia. Mas não tem jeito, minha animação está maculada. Quando leio as notícias sobre os ataques a turistas LGBTs em solo russo, a raiva vem em ondas fortes.

Contudo, eu não tenho buscado apenas informações sobre agressões a visitantes. Tenho procurado, até com mais afinco, notícias de manifestações de resistência e lembretes de que não está tudo bem por ali. Elas têm sido feitas com humor.

Trago minhas duas manifestações favoritas de resistência. A primeira foi a resposta da Fernanda Gentil durante um papo com a Fátima Bernardes sobre a cartilha do Itamaraty com recomendações de como se comportar na Rússia. A jornalista namora publicamente uma mulher e, antes que alguém perguntasse, ela já disse logo – com muita ironia – como está lidando com essa situação.

Mas o título de campeão em resistência, dando um “vrá duplo twist carpado” na cara da LGBTfobia russa, fica para esta propaganda do canal TyC Sports, da Argentina.

Circunstâncias explícitas de opressão são sempre situações muito dolorosas. No entanto, elas também apresentam oportunidades de serem abertamente desconstruídas, pois ali estão, com seus corações sujos expostos.

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