De José Rico a Hebe: mansões abandonadas viram atração nas redes
Vídeos que mostram propriedades de famosos abandonadas acumulam milhões de visualizações e levantam debate sobre os limites da lei
atualizado
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Mansões milionárias que já pertenceram a grandes nomes da música e da televisão brasileira viraram alvo de uma nova febre nas redes sociais. Vídeos que mostram o interior de propriedades abandonadas de celebridades acumulam milhões de visualizações e impulsionam o crescimento de um nicho conhecido como exploração urbana.
A prática surgiu entre criadores de conteúdo estrangeiros e é conhecida como exploração urbana, ou urbex. Entre os exemplos brasileiros mais populares está o vídeo do castelo abandonado do cantor José Rico, da dupla com Milionário, que já ultrapassou 1 milhão de visualizações. A propriedade se tornou bem de uso público após anos de dívidas não pagas.
Confira fotos do castelo abandonado de José Rico:
Influenciadores podem gravar em locais abandonados?
O interesse não se limita ao universo sertanejo. Antigas residências de artistas e personalidades da TV também se tornaram cenário frequente desse tipo de conteúdo. Entre elas estão a mansão de Hebe Camargo, no Morumbi, em São Paulo, e a propriedade de Clodovil Hernandes, em Ubatuba, no litoral paulista.
O sucesso dos vídeos, porém, levanta dúvidas sobre os limites legais dessas gravações. O advogado criminalista Fernando Viggiano alerta que, em muitos casos, a prática pode configurar crime.
“Ainda que aparentemente desocupadas e sem sinais de manutenção, gravar esses vídeos pode sim configurar crime, sobretudo sem autorização do proprietário, do possuidor legítimo ou de determinação judicial específica”, explica.
Veja fotos da mansão abandonada de Hebe Camargo
Por outro lado, o criminalista Vitor Mageski Cavalcanti afirma que há argumentos jurídicos que podem sustentar a realização das gravações.
“O crime de invasão de domicílio, disposto no Código Penal, exige que a casa seja habitada. Ou seja, imóveis abandonados ou desabitados, que não servem de moradia ou local de trabalho, não gozam da proteção de inviolabilidade de domicílio”, afirma.
Ainda assim, o especialista ressalta que os criadores de conteúdo não estão livres de responsabilização. “Já na esfera cível, o influenciador pode ser condenado ao pagamento de indenização pela violação de propriedade e pelo uso indevido da imagem do bem”, explica.
Por que mansões milionárias acabam abandonadas?
Segundo especialistas, o abandono dessas propriedades costuma estar ligado ao alto custo de manutenção de imóveis de luxo. Em muitos casos, herdeiros enfrentam dificuldades para arcar com despesas, impostos e dívidas associadas a patrimônios avaliados em milhões de reais.
O advogado imobiliário Ronaldo Gotlib destaca que as publicações nas redes sociais podem até mesmo impactar o valor econômico desses imóveis, ao incentivar invasões e expor o estado avançado de deterioração das propriedades.
“Imóveis vazios por longos períodos acabam se tornando vulneráveis a invasões, deterioração, furtos e exploração indevida nas redes sociais”, explica. “Isso revela uma fragilidade estrutural no sistema de preservação patrimonial de bens judicializados no Brasil”, declara.
Veja fotos da mansão abandonada de Clodovil Hernandes:
O especialista destaca ainda que o próprio processo de quitação de dívidas envolvendo patrimônios milionários pode acabar expondo a existência e a localização desses imóveis.
“Processos judiciais, editais de leilão, matrículas imobiliárias e decisões disponíveis nos tribunais frequentemente permitem identificar imóveis de alto valor em situação de disputa ou execução. Isso facilita que curiosos, produtores de conteúdo e até invasores descubram a localização dessas propriedades”, ressalta.








































