Agressor de paisagista sugeriu que assistissem a filme de terror

O estudante de direito também contou à vítima que um amigo tinha o desejo de matar uma pessoa

atualizado 19/02/2019 13:52

Reprodução/Facebook

A paisagista Elaine Caparroz, que foi agredida violentamente pelo estudante de direito Vinícius Batista na madrugada de sábado (16/2), contou a uma amiga que o agressor sugeriu que, depois do jantar, os dois assistissem a um filme de terror. As informações foram prestadas por Lidiane de Paula, amiga da empresária há 10 anos, na segunda-feira (15).

Segundo informações do jornal O Globo, Lidiane tem dado todo o suporte à amiga agredida, que continua internada no Hospital Casa de Portugal. De acordo com ela, Elaine está aos poucos se lembrando de fatos ocorridos na noite do ataque e “juntando as peças”.

Lidiane declarou que se encontrou com a paisagista para um café na tarde de sexta, quando programaram uma reunião de negócios para a tarde de sábado. Elaine já havia marcado o jantar com Vinícius para aquela mesma noite.

A paisagista contou à amiga que Vinícius chegou ao local de forma educada e amistosa. Durante o jantar, ele repetiu algumas vezes que a achava muito bonita. O estudante, então, sugeriu que ambos assistissem a um filme de terror. Como ela não é apreciadora do gênero, a paisagista recusou a sugestão de filme.

Segundo relatos de Lidiane, Vinícius teria escolhido outro filme e, enquanto assistiam, comentou com Elaine que um amigo tinha o desejo de matar uma pessoa. Elaine revelou à amiga o que respondeu: “Nossa, esse seu amigo é louco, não se mata ninguém. Deus é quem faz a Justiça” e encerrou o assunto em seguida. Como o filme não despertou seu interesse, Elaine acabou pegando no sono, tendo sido acordada pelas agressões logo em seguida.

No dia seguinte, Lidiane esperou pela amiga para a reunião marcada, mas ela não apareceu. Após muitas tentativas de contato, ela recebeu um áudio de Elaine. “Amiga, eu saí com um cara ontem e ele me espancou. Estou no hospital e não sei nem quando a gente vai poder se ver. Mas eu tô viva, graças a Deus, tá? Te amo.”

Lidiane percorreu vários hospitais até encontrar a amiga, que não havia dito onde estava internada. Depois de localizá-la no Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, ela passou a prestar apoio e tenta, junto com os familiares de Elaine, compreender o ocorrido.

Os amigos de Elaine creem que o crime foi premeditado. No boletim de ocorrência, o delegado afirmou que não há duvidas de que o homem cometeu as agressões. Vinícius Batista Serra teria justificado aos investigadores que o espancamento ocorreu após um surto psicótico sofrido por ele durante a madrugada.

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Investigadores da 16ª DP (Barra da Tijuca) estiveram na casa de Elaine e fizeram uma perícia. No pedido de prisão preventiva, o delegado afirma que Vinícius “é perigoso e é preciso que ele fique preso. Já que solto poderá atentar novamente contra a vida da vítima ou tentar atrapalhar as investigações”.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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