Não deu praia? Saiba o que fazer fora do mar em Porto Seguro

De reserva indígena a turismo religioso, a cidade baiana preserva a história da colonização portuguesa no Brasil

Isadora Teixeira/MetrópolesIsadora Teixeira/Metrópoles

atualizado 09/11/2019 8:24

Choveu, o mar não parece convidativo ou o sol escaldante não te atrai? Se por esses ou outros motivos não deu praia para você, saiba que em Porto Seguro, no sul da Bahia, há opções turísticas fora do mar.  Pouco antes que as manchas de óleo que assolam o litoral brasileiro chegassem à região, o Metrópoles esteve por lá e conheceu um roteiro que passa longe das famosas águas salgadas.

Imersão na vida indígena e construções que resistem ao tempo com cores chamativas integram o “cardápio” dessa viagem de volta ao passado. Os centros históricos de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda e Trancoso têm, também, santuários históricos, alguns com relatos milagrosos.

Confira!

Reserva indígena ou dos povos originários

Voltada ao etnoturismo, a Reserva da Jaqueira está localizada a 12km do centro, em uma área de Mata Atlântica. Atualmente, vivem no local 34 famílias de 110 índios – ou povos originários, como preferem ser chamados – da etnia Pataxó.

“O etnoturismo nos ajuda a cuidar da reserva e a manter a nossa cultura”, contou Syratã, 30 anos, cacique da aldeia. Dentro do espaço demarcado, além de kijeme, como são chamadas as residências com paredes de argila e cobertura de piaçava, há uma escola de ensino fundamental.

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Cacique Syratã da Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro

Para chegar até a entrada da Reserva da Jaqueira, é preciso percorrer uma estrada de chão por cerca de 10min.  De lá, os turistas seguem com índios em caminhada por 1,5km mata adentro.

Todo o passeio pela aldeia custa R$ 60, por pessoa. O investimento dá direito a frutas, peixe assado na folha da patioba e pintura no rosto. Há, ainda, a opção de ficar 24h, incluindo pousada, por R$ 180.

História e turismo religioso

A Cidade Histórica de Porto Seguro, conhecida também como Cidade Alta, tem casas dos séculos 17 e 18. No caminho, que pode ser percorrido à pé, há árvores pau-brasil, espécie que impulsionou o comércio à época da colonização portuguesa.

No local, o Escritório Técnico I do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) preserva na parede exemplar de tijolos trazidos pelos portugueses para contrabalancear, nos navios, o movimento causado pelas ondas.

Outro pedaço da história do país permanece na Cidade Alta. O Marco do Descobrimento, uma pedra de mármore que registrou a propriedade de Portugal sobre a região, a qual chegou em Porto Seguro entre 1503 e 1526, fica nas proximidades da Igreja de Nossa Senhora da Pena (à esquerda, na foto em destaque).

Mais conhecidos distritos de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda e Trancoso também têm história para contar. Rodeada por casas coloridas no centro de Arraial, a Igreja Nossa Senhora d’Ajuda, erguida por volta de 1549 e reestruturada outras vezes desde então, tem um espaço reservado para relatos de milagres atribuídos à Nossa Senhora d’Ajuda.

“Mando esta minha foto em agradecimento de uma graça recebida pela cura de um câncer no intestino. Fiz cirurgia em 2015 e, agora, já estou trabalhando graças à intercessão de Nossa Senhora d’Ajuda”, registra uma das imagens, datada de dezembro de 2016.

O santuário fica na Praça Brigadeiro Eduardo Gomes, fechada para estacionamento de veículos após recomendação do Ministério Público Federal (MPF) a fim de preservar o local. A passagem para van ou ônibus dentro do centro de Arraial custa R$ 3,50.

Atrás da igreja, há uma vista privilegiada para o mar. Na frente, comércios, como lojas de souvenier, vendem as famosas fitinhas coloridas (10 por R$ 2).

Antigas construções preservam a identidade cultural do Quadrado de Trancoso. De Arraial até Trancoso são 28km de estrada de chão. O polo turístico é formado pela Igreja São João Batista, fundada por volta do século 17, além das charmosas casas cujas pinturas não se repetem entre si. Assim como em Arraial, atrás do santuário é possível visualizar as praias da região com cor azul royal.

Para chegar às localidades, o caminho mais rápido é por uma balsa. A travessia de Porto Seguro para Arraial d’Ajuda dura cerca de 5min, com diferentes valores para pedestre (R$ 5 para visitante) e veículo (até R$ 22,90, para automóvel ou utilitário).

Hospedagem e roteiro gastronômico

Há acomodações para todos os gostos em Porto Seguro. A 200m da praia do Mutá, Toko Village deixa os hóspedes literalmente em casa: o cliente pode escolher entre as diferentes residências erguidas no local. A Vila Sol (com diária a partir de R$ 549), por exemplo, acomoda até oito pessoas em uma área de 280m², com piscina privativa, salas de jantar e televisão, além de lavanderia e cozinha completa com geladeira, cook top elétrico e forno.

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Hospedagem é variada na região. Há desde o conceito de montanha até casas que oferecem privacidade. Na foto, a Vila Sol, do Toko Village

Outra opção é o Solar do Imperador (diária a partir de R$ 175), com conceito de hotel de montanha e estilo colonial brasileiro. A 800m do aeroporto de Porto Seguro, a estadia tem adega subterrânea com 2,5 mil rótulos.

O Porto Seguro Eco Bahia, localizado no topo da falésia ao lado do centro histórico, e o Arraial d’Ajuda Eco Resort (diária com meia pensão a partir de R$ 754, após o Carnaval) têm vista para o mar e o Rio Buranhém.

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Entre os pratos de Porto Seguro, o arroz de moqueca é imperdível

Tão importante quanto os passeios e a hospedagem, a gastronomia da região não deixa a desejar. Arroz de Moqueca (Banzé Restaurante, R$ 25) e bobó de camarão (Deck Gallo’s, R$ 89,90) são encontrados facilmente nas proximidades da Passarela do Descobrimento, em Porto Seguro.

Vale experimentar, em Arraial, guacamole com camarões (Baêa Bistrô, R$ 37) e camarão caramelizado levemente apimentado em Trancoso (Travel inn Pousada e Beach Club, R$ 98).

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