De aventureira a cristã: quando a mãe é a melhor companheira de viagem
Com muito em comum, mães e filhos conhecem o mundo e encontram nas viagens uma maneira de fortalecer os laços e criar memórias
atualizado
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Assim como ela abriu as portas da vida para você, “leve a sua mãe para conhecer o mundo”. É com essa proposta que Max Melo, de 34 anos, divide algumas das melhores experiências de viagem com a mãe dele, Luzmar. Cruzar fronteiras foi a melhor forma de fortalecer um vínculo especial entre o filho que passou a metade da vida fora de casa e a mulher incrível que o trouxe ao mundo.
Viajar de carro sempre foi uma tradição da família mineira. Mas, desde a perda do esposo, Luzmar e os três filhos passaram por um período de luto extenso. Em 2018, Max fez um convite à matriarca: fazer a primeira viagem dela para fora do país, com destino ao México.
“Foi um momento marcante. Eu me sinto muito amada e acarinhada toda vez que viajamos. O Max me fotografa e me incentiva muito, ele leva até várias roupas para que eu me sinta uma princesa”, brinca a matriarca. “Viajar com ele é sempre uma experiência incrível”, completa.

Na visão do filho do meio de três irmãos, viajar juntos é uma espécie de refúgio, um ponto em comum de duas pessoas que moram longe e têm muito afeto um pelo outro, mas a cada roteiro fortalecem o vínculo e criam novas experiências.
“A minha mãe vem de uma história de muita luta. Meu pai trabalhava fora e ela abriu mão desse sonho de conhecer o mundo que cultivou durante a vida, como professora, para nos criar praticamente sozinha. Por isso, eu enxergo como uma forma de fazer esse carinho, a maneira que eu encontrei de retribuir por todos esses anos”, contou o professor.
Mais do que cumprir um roteiro, viajar é uma ferramenta essencial para conhecer o que de mais autêntico um lugar tem a oferecer. Parte principal da vivência como um todo, escolher bem a companhia — mesmo que seja você mesmo — define como o período será lembrado.
Entre todas as possibilidades, não existe ninguém melhor para acompanhá-lo que alguém que te emprestou valores e te apresentou o mundo. Mais do que dar presentes, criar memórias não tem preço.
Um pouco de cultura, um pouco de aventura
Sempre que decidem fazer uma viagem, Palmira Santiago, 56, e as filhas têm uma espécie de regimento interno. Estar sempre aberta a novas aventuras, mergulhar, de fato, na cultura do destino — por meio da gastronomia, da cultura ou da moda — e dar adeus às reclamações.
A dinâmica familiar muito bem sincronizada foi apresentada às filhas Fernanda, 24, e Juliana, 29, ainda crianças. Desde a primeira viagem internacional da filha mais velha, aos 5 anos, elas já desceram um rio na França de caiaque, nadaram com arraias no Caribe — e quase ficaram por lá mesmo pela preguiça de voltar — voaram de parapaint, balão, ultraleve… “essa parte de aventura e cultura é comigo mesmo”, admite a mãe, entre risos.
“Criamos um jeito de viajar que é só nosso e são memórias que vão durar para sempre. É muito especial viajar com ela, porque temos nosso próprio ritmo, e muita conexão. A gente se entende”, afirma Fernanda. É nítido que não existe melhor companhia para elas do que as mulheres da família.

Juliana, que está noiva, diz que incorporou a dinâmica e até o companheiro já se acostumou com o ritmo delas enquanto viajantes. “O que eu aprendi com a minha mãe e desejo passar para os meus filhos é essa coragem de se aventurar, e a paixão por conhecer o diferente”, planeja a filha mais velha.
Além de montar as próprias viagens sozinhas, elas também deixam o pai no hotel para fazer o próprio roteiro. “Nem sempre ele topa as nossas aventuras. Mas, temos uma à outra, indo para uma exposição de moda ou para caminhar pela cidade”, lembra Fernanda. “Ela sempre pergunta: ‘O que a gente pode aprender daqui?’ e eu admiro muito isso”.
Além das similaridades no DNA, corre pelas veias da família uma pitada de espírito aventureiro, uma paixão pelo desconhecido e por criar memórias juntas, sempre relembradas com muito bom humor em momentos em família.
Movidas pela fé
Quando o assunto é explorar novos territórios, um dos conhecimentos mais interessantes é se descobrir enquanto viajante. Enquanto alguns preferem criar o próprio roteiro, dando voz aos projetos particulares, outros buscam seguir um caminho diferente — mas, também, personalizado: os roteiros prontos.
No caso de Nicole Gonçalves, 26, e da mãe, Alzirene, 60, os destinos ligados à espiritualidade representam um laço com bases sólidas e bastante particular que elas sempre dividiram. De tempos em tempos, as duas procuram viagens organizadas por igrejas, com pacotes completos, incluindo guias e pontos turísticos importantes ligados à fé.
“Eu nasci em um lar cristão, e eu sou muito feliz e gata da minha mãe ter sido a ponte para algo que transformou a minha vida, que é o cristianismo”, comenta Nicole. “Eu acho muito simbólicas essas experiências com ela, porque é no dia a dia, quando eu estou vivenciando a minha religião, que eu compartilho essas coisas com ela”.
As duas percorrem o Brasil há anos, mas a grande e mais marcante tour aconteceu na Europa, no ano em que se completaram os 500 anos da Reforma Protestante. O trajeto passou por cinco países: Áustria, República Tcheca, Alemanha, Suíça e, por último, Holanda.
“A minha mãe é meu pilar, a pessoa mais importante da minha vida. Viver essas coisas que definem quem eu sou é naturalmente muito ligado a ela. Eu acho que não teria nem sentido viver essas experiências de viagem, que são tão transformadoras, se não fosse ao lado dela”, completa a brasiliense.
De malas prontas para a próxima viagem, rumo a Israel, Nicole conta que as duas se adequam bem às demandas uma da outra. Enquanto a mais jovem está habituada a dormir em hospedagens compartilhadas, a matriarca prefere mais conforto e, priorizando o bem-estar uma da outra, elas sempre encontram um meio termo.
Por conta das afinidades em comum, elas contam que não trocariam a companhia uma da outra por ninguém. Mas, o planejamento é fundamental para fazer com que o orçamento das duas se encaixe.

“Ela sempre trabalhou muito pra que tivéssemos acesso às melhores coisas, e eu acredito que agora é o momento dela usufruir do melhor possível, então, dou um jeito de pagar a minha parte, mesmo que seja um pouco mais cara, para ficar em um hotel e trazer mais de conforto para ela”, completa.
Boa convivência
Encontrar uma convivência harmônica durante a viagem é uma arte que nem todo mundo domina, mesmo em família. Para facilitar, os psicólogos Igor Barros e Mary Pinheiro elencaram algumas dicas práticas a fim de que esses momentos sejam tranquilos como o período de descanso deve ser.
- O primeiro passo é conversar sobre o destino. Tem que ser de agrado a mãe e ao filho. O roteiro deve levar em consideração os gostos, estilo de vida e entendimento da região;
- Planejamento: defina em conjunto a programação — desde restaurantes, passeios, hotéis que gostariam de visitar em cada dia da viagem, sempre fazendo concessões: tentando abranger o que todos mais gostariam de conhecer;
- O diálogo e bom humor vão ajudar muito para que rusgas não interfiram. Portanto, é aconselhável que os viajantes esqueçam os problemas e evitem falar deles durante a viagem;
- Aquele ditado que o combinado não sai caro funciona muito em relacionamentos. É essencial, pois combinar os horários de café da manhã, se desejarem se alimentar juntos, estipular um horário e local do hotel para se encontrarem e saírem juntos;
- Aproveite o momento para conversar sobre sonhos, vontades. Muitas vezes, momentos assim são mais marcantes que qualquer convivência em casa;
- Respeite o ritmo de cada um. Pode acontecer de um ficar mais cansado e o outro, mais empolgado. A paciência e a empatia são palavras de ordem em qualquer experiência de viagem acompanhado.
- Não existe verdade absoluta, por isso, crie um canal de comunicação efetiva para que todos sejam ouvidos. O consenso deve ser o guia da viagem.
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