Pregador na sobrancelha alivia enxaqueca? Médica avalia truque viral
Vídeos nas redes sociais mostram técnica curiosa para aliviar dor de cabeça, mas neurologista alerta para falta de comprovação científica
atualizado
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Um truque inusitado tem chamado atenção nas redes sociais: usar um pregador de roupa na sobrancelha para aliviar a enxaqueca. A prática, que viralizou em vídeos curtos, levanta dúvidas sobre sua eficácia — e até segurança.
Segundo a neurologista Luciana Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, não há evidência científica que comprove o método. “Não existe nenhuma base científica para usar pregador da sobrancelha para aliviar enxaqueca, não tem evidência nenhuma, isso nunca foi analisado”, afirma.
Apesar disso, a especialista explica que a sensação de alívio relatada por algumas pessoas pode ter uma explicação fisiológica. “A gente sabe que alguns pontos do crânio quando a gente pressiona eles podem ajudar a modular as viagens de dor. Então nessa região acima da sobrancelha a gente tem saída de nervos cranianos e aí naturalmente, às vezes, quando a pessoa está com dor de cabeça, ela pressiona essas regiões e pode sentir alívio”, diz.
Ou seja, o possível efeito não estaria no pregador em si, mas na pressão exercida em pontos específicos da face. Ainda assim, o alívio tende a ser limitado.

“Possivelmente as pessoas que percebem melhora estão fazendo uma pressão nesses locais específicos e isso ajuda, mas é claro que uma crise de enxaqueca normalmente não melhora só com essas medidas”, acrescenta.
A neurologista alerta que o principal cuidado é não adiar o tratamento adequado. “Infelizmente, a gente acaba precisando lançar mão do tratamento medicamentoso, porque são dores que atrapalham o dia a dia. Quanto antes tomar a medicação adequada, maior a chance de sucesso”, orienta. Segundo ela, esperar muito pode dificultar o controle da crise, já que ocorre a liberação de substâncias inflamatórias ao longo do episódio.
Sobre riscos, Luciana afirma que o uso do pregador em si não costuma trazer danos diretos, mas pode gerar uma falsa sensação de solução. “O risco propriamente dito eu não vejo, mas também benefício é limitado e temporário. Às vezes, isso acaba atrasando a pessoa de tomar a medicação, e a crise pode vir mais forte e ser mais difícil de tratar depois”, destaca.
Para quem sofre com enxaqueca, a recomendação é reconhecer os sinais iniciais da crise e seguir a orientação médica. “O ideal é tomar a medicação logo no início, quando a pessoa percebe que está entrando em crise”, conclui.
