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Por onde anda o Biotônico Fontoura?

O fortificante com mais de 100 anos de tradição caiu no esquecimento por ter sido associado ao alcoolismo na vida adulta

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Biotônico Fontoura/Divulgação
1 de 1 - Foto: Biotônico Fontoura/Divulgação

A infância de muita gente teve um gostinho amargo. Quem nunca tomou uma colherada de Biotônico Fontoura para abrir o apetite? O suplemento tem mais de 100 anos de história e até hoje permanece na memória gustativa de muitos adultos. No entanto, será que as crianças de hoje em dia ainda tomam esse fortificante ou seu legado é coisa de outros tempos?

Na história do Biotônico é fácil encontrarmos algumas curiosidades interessantes. Cândido Fontoura, criador do fortificante, era amigo de Monteiro Lobato. O escritor não só deu o nome do medicamento como ajudou a promovê-lo por meio do célebre Jeca Tatu, um dos personagens mais emblemáticos de sua literatura.

O remédio, que diziam dar “fome de leão”, logo se tornou referência nacional com receitas que visavam potencializá-lo ainda mais. Uma delas consistia em misturar o fortificante com ovos de pata, leite condensado e cacau em pó para ajudar os magricelos e anêmicos de plantão. Aqui na redação teve gente que relatou a misturinha Biotônico Fontoura com semente de sucupira para melhorar a dor de garganta e a tosse.

Biotônico Fontoura/ Arquivo Bloch Editores/ Reprodução Instagram/ Blog do Imbar

Apesar disso, o nutricionista Marcelo Mendes acredita que o tempo do Biotônico já passou. “Por ser um produto composto por ferro e fósforo, ele era muito utilizado nas décadas de 80 e 90. Nesse período, a prevalência de anemias causadas pela deficiência de ferro eram altas”.

Marcelo explica que esse declínio de popularidade veio acompanhado de estudos que começaram a associar o consumo do fortificante à dependência de álcool na fase adulta.

Sim, companheiro, a composição do Biotônico sofreu algumas mudanças com o passar dos anos. Até meados de 2001, continha 19,5% de álcool etílico em sua fórmula – daí aquele gostinho de pinga adocicada que muitos adoravam.

Para o profissional, apesar da anemia ainda representar um grave problema de saúde pública, hoje ela ocorre com menos frequência. “Talvez o enriquecimento de ferro e folato em massas e farinhas tenha mudando o consumo alimentar das pessoas.”

Mesmo na fórmula atual, sem álcool, o nutricionista não recomenda a prescrição para crianças, especialmente por causa do açúcar na composição. “Falta de apetite é comum na infância. Pode ocorrer por uma deficiência de zinco e a suplementação desse mineral ajudaria a melhorar o apetite”, explica.

Antes de querer passar a tradição adiante, é necessário um acompanhamento com um médico e um nutricionista para avaliar a real necessidade do uso.

Em nota, a assessoria do Biotônico Fontoura explicou que cada dose contém uma pequena quantidade de sacarose (açúcar), que representa apenas 2% das necessidades diárias de carboidratos por dia para crianças. “A presença da sacarose melhora a palatabilidade do produto, não trazendo prejuízo nutricional”, concluiu a assessoria.

 

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