Designer brasiliense Antônio Henrique se destaca no mercado
Poliana Abritta e Ana Maria Braga são algumas mulheres que já usaram as peças do criador em televisão nacional
atualizado
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“É preciso ser totalmente apaixonado pelo que se faz”, acredita o joalheiro Antônio Henrique Abinave, 49 anos. Por isso, ao escolher a profissão, foi na infância buscar referências e, se lembrou de quando observava a mãe, a joalheira goiana Mirian Paiva, manuseando pedras e metais preciosos.
“Ia para a oficina e adorava vê-la no trabalho. Ela é muito criativa, tem uma energia inesgotável, uma dinâmica única, mas, é, principalmente, uma apaixonada por joias”, conta Antônio — o único dos três filhos a seguir os passos da genitora.Nascido em Goiânia, ficou na cidade até os 18 anos, quando partiu para Brasília buscando sua identidade. Passou para Ciência Política, na Universidade de Brasília (UnB), mas abandonou o curso faltando apenas um ano para a formatura. Decidiu fazer a malas e passear pela Índia durante três meses. Mas depois de 60 dias conheceu um guru que lhe abriu a cabeça. Resultado: passou oito anos se dividindo entre o país asiático e o Brasil, sempre ficando seis meses em cada.
Lá estudou yoga e pedras. “Eles têm uma tradição de joalheria muito forte. A identidade das mulheres é baseada no que elas têm de joias. Colares, pulseiras e anéis não são apenas símbolo de status e ostentação, são também um reflexo da personalidade da pessoa. Uma forma de se identificar, se definir”, comenta.
Mas apesar dos anos de descoberta, aos 26 anos, decidiu que precisava retomar um capítulo importante do passado: a faculdade. Passou a cursar Artes Cênicas na Holanda. Enquanto estudava, ganhava a vida dando aulas de yoga. Durante os 13 anos que ficou na Europa, vinha para o Brasil, desenvolvia uma pequena coleção de joias e voltava para Amsterdã para efetuar as vendas.
A minha trajetória não foi linear. Demorou bastante para eu voltar para a joalheria. O que sou hoje é resultado de um processo de busca muito pessoal. Isso se reflete no meu produto também
Antônio Henrique
Em 2008, voltou ao Brasil para se entregar de vez ao ofício. A mãe estava fraca e a ideia era assumir o negócio de vez. Logo montou a loja no Gilberto Salomão. “Vim para Brasília porque tinha alguma clientela aqui”, relembra.

A inspiração para criar vem através dos estudos e de assuntos com os quais se identifica. “Acabo indo muito para o que eu gosto no momento. Não volto aos temas que já visitei. É bonito, é interessante, mas não faria mais. Vou mudando, vendo a experiência como ser humano, com a realidade que estou vivendo”, avalia o designer.
E para ajudar nos problemas diários, dividir o trabalho e as alegrias, o designer conta com o apoio do marido sul-africano, Gavin. Juntos há 20 anos, eles se conheceram na Holanda. Gavin veio para o Brasil e hoje cuida da contabilidade da empresa. “Mudei a trajetória da minha vida. Agora, quase aos 50 anos, sou realizado. Estou feliz”, revela sorrindo.

O reconhecimento
Depois de tantos anos no ramo, o designer colhe os frutos por tanto esforço. Suas peças já estamparam, por diversas vezes, publicações famosas, como a Vogue, Elle e a Harper’s Bazaar. Atrizes já apareceram com as joias em novelas e campanhas.
No mês passado, a jornalista Poliana Abritta usou uma criação de Antônio Henrique para apresentar o “Fantástico”. Não foi a primeira vez, em agosto de 2015, havia usados brincos do designer para entrevistar a cantora e ex-primeira dama da França, Carla Bruni (veja o vídeo aqui).
Apesar da mãe de Poliana ser cliente do designer há anos, ele garante que a jornalista nem ao menos o conhece. “Já fiz um anel para o marido dela, quando os trigêmeos nasceram, mas ela nem deve saber. Não é porque sou amigo da família dela que cheguei lá”, afirma. O joalheiro conta com uma assessoria de imprensa e garante que é o único método utilizado para ganhar toda essa repercussão.
“É claro que essa divulgação funciona, muda a exposição sim. Por exemplo, depois que a Poliana usou, eu recebi um feedback. Mas não pago essas mídias, são todas espontâneas”, revela.
“Ser reconhecido por pessoas que entendem do que se trata (nas mídias influentes) faz uma diferença muito grande. Me dá uma sensação de ‘cheguei aqui'”, desabafa.

























