Médico alerta: uso excessivo de celular afeta ombros e postura
Ortopedista alerta para o aumento de dores musculares e desequilíbrios biomecânicos causados pela inclinação constante da cabeça
atualizado
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O hábito aparentemente inofensivo de checar o celular diversas vezes ao dia está redesenhando a saúde física da população. Segundo o ortopedista Kaleu Nery, o uso excessivo desses dispositivos tem provocado um aumento significativo nos casos de dor cervical e tensão muscular. O problema central reside na postura: ao manter a cabeça inclinada para frente e os ombros projetados, o usuário gera uma sobrecarga progressiva que afeta diretamente o trapézio e a cintura escapular.
Entenda
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Sobrecarga muscular: a flexão prolongada do pescoço exige um esforço maior da musculatura para sustentar o peso da cabeça, gerando fadiga e contraturas.
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Desequilíbrio biomecânico: manter os ombros em rotação interna e para frente altera o funcionamento natural da articulação e da musculatura.
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Mudança no perfil do paciente: sintomas que antes surgiam apenas em idosos, como dor periescapular e peso nos ombros, agora são comuns em jovens.
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Limitação funcional: o uso contínuo sem pausas pode levar a dores miofasciais e dificuldades para realizar movimentos cotidianos simples.

A biomecânica da dor
A inclinação constante para olhar a tela do celular não afeta apenas a coluna cervical. Kaleu Nery explica que essa posição sustentada compromete toda a região dos ombros. Quando os ombros são projetados anteriormente (protração), ocorre uma alteração na dinâmica da cintura escapular, o que pode resultar em desconfortos crônicos e dores na região das escápulas.
Esse cenário é agravado pelo tempo de exposição. Muitas horas com o pescoço fletido impedem o relaxamento muscular, transformando o cansaço momentâneo em dores persistentes. O especialista destaca que a sensação de “peso” relatada pelos pacientes é um reflexo direto dessa demanda muscular excessiva para manter o equilíbrio do corpo fora do seu eixo natural.

Prevenção e cuidados necessários
Para reverter esse quadro, a mudança de hábitos é a principal recomendação. Ajustes ergonômicos simples, como manter a tela do celular sempre na altura dos olhos, evitam a flexão do pescoço e a projeção dos ombros. Além disso, pausas regulares durante o uso do dispositivo são essenciais para aliviar a tensão acumulada.
O fortalecimento da musculatura postural e exercícios voltados para a estabilização escapular e alongamentos cervicais também desempenham um papel crucial na redução dos sintomas. No entanto, o ortopedista reforça um alerta importante: se as dores forem persistentes, a avaliação médica torna-se indispensável. Somente um profissional pode diferenciar se o incômodo é puramente postural ou se já existem patologias estruturais na coluna cervical ou nos ombros que necessitem de tratamento específico.
