Tocofobia: entenda mais sobre o medo exagerado de engravidar
Quando exagerado, receio em virar mãe pode levar a um quadro de fobia

Muitas mulheres sonham em engravidar, gerar uma vida dentro do seu próprio corpo e dar à luz um ser que se assemelha a elas. Apesar de ser um desejo bastante esperado para milhões de pessoas, a gestação pode causar sentimentos totalmente contrários (e conflitantes) em outras. Esse medo ficou ainda mais evidente desde o último ano, quando o mundo foi assombrado pela pandemia de Covid-19.
De acordo com os resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos
“Assim como acontecimentos mundiais, catástrofes e guerras, por exemplo, sempre impactam na natalidade, a pandemia também fez isso. Isso acontece por medo do futuro e ansiedade pela perda”, explica o médico ginecologista e presidente do Conselho de Administração do EuSaúde, Ricardo Cabral. “Todos os dados corroboram com o estudo texano. Efetivamente, há o medo da instabilidade do futuro e de trazer filhos para esse novo mundo”, acrescenta.
A pesquisa ainda mostra que o medo de engravidar foi maior que na epidemia de zika vírus. No surto do zika, 76,1% concordaram que as mulheres deveriam ter se esforçado para evitar uma gravidez. Quando a pergunta foi referente a pandemia do novo coronavírus, esse número foi igual a 79,9%, ou seja, de todas as entrevistadas, 1.880 concordaram em evitar uma gravidez no último ano.
O receio em virar mãe pode ir além das consequências causadas pelo novo coronavírus. De acordo com a psicóloga da clínica Via Vitae Alessandra Araújo, além da realidade social deste momento, há, ainda, algumas raízes mais profundas e que, a depender do grau, revelam transtornos. “Por sermos moldadas para sermos mães, existem algumas mulheres que desenvolvem esse receio. Medo de não dar conta, de educar errado ou até de repetir o comportamento inadequado que os pais tiveram com ela. Ele pode ser tanto que, em alguns casos, essas mulheres acabam desenvolvendo uma tocofobia”, explica.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO que é a tocofobia?
Trata-se do nome dado ao medo excessivo de engravidar e do parto. “Seu surgimento pode vir dessa cobrança feita pela sociedade; de experiências intrauterinas, de quando ela ainda estava no útero da mãe; ou de experiências negativas, como um aborto ou erro médico durante uma gestação, por exemplo”, explica Alessandra.
“A diferença entre uma condição normal de uma considerada patológica é o fato daquela angústia ser completamente intolerável. A tocofobia não é uma vontade consciente de postergar a gestão, por receios e/ou dúvidas. A tocofobia é quando, em razão desses receios e dúvidas, o casal, ou a mulher, tem pânico pela possibilidade de engravidar em algum momento”, esclarece Cabral.
De acordo com a especialista, é nesse processo que pensamentos negativos sobre a gestação aparecem, como “é muito ruim, é doloroso, é muito angustiante”. E, então, a pessoa prefere anular essa vontade, em vez de encará-la.
A fobia ainda pode vir acompanhada de alguns sintomas, como taquicardia, crise de pânico, pesadelos, sudorese, choro constante, repulsa da figura do bebê ou da criança, e até um afastamento social para não ter que lidar com a situação.
“É possível superar esse medo com o auxílio da psicoterapia e acessar qual é o gatilho desse medo”, explica a psicóloga. Alessandra ainda esclarece que cada caso é um caso, e precisa ser acompanhado por um profissional. “Existem ainda alguns em que é preciso contar com o auxílio de medicação”. Com o tratamento correto, essa fobia é perfeitamente contornável.
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