Irmãos quebram recorde ao remar 15 mil km do Peru à Austrália
Em 139 dias no mar, os irmãos escoceses enfrentaram ondas de 9 metros e queda no oceano para arrecadar US$ 1 milhão para caridade
atualizado
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O que começou como uma aventura de infância com barcos improvisados no litoral gelado de Assynt, no noroeste da Escócia, culminou em um dos maiores feitos da navegação a remo da história moderna. Os irmãos Jamie, Ewan e Lachlan Maclean atravessaram o Oceano Pacífico sem qualquer apoio externo, percorrendo 14.484 quilômetros entre o Peru e a Austrália. A jornada, concluída em 30 de agosto de 2025, estabeleceu um novo recorde mundial de travessia ininterrupta em equipe.
Entenda
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Vínculo e memória: o barco, batizado de Rose Emily, homenageia uma irmã que faleceu antes de nascer em 1996, servindo como amuleto espiritual para o trio.
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Terror no Pacífico: durante um anticiclone, ondas de até 9 metros quase viraram a embarcação, e um dos irmãos foi lançado ao mar na escuridão total.
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Logística e dieta: o grupo partiu com mil pacotes de comida congelada e enfrentou turnos de remo de até 18 horas diárias sob sol implacável.
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Causa humanitária: o objetivo central foi arrecadar mais de US$ 1 milhão para projetos de água potável em Madagascar, unindo esporte e filantropia.

Do Atlântico ao desafio supremo
Após cruzarem o Atlântico em 2020, os Maclean sentiram a “pedra no sapato”: a vontade de fazer o que nenhuma equipe havia conseguido — cruzar o Pacífico da América do Sul à Austrália sem escalas. Segundo a BBC World Service, a preparação durou dois anos e incluiu conversas emocionantes com os pais. “Acho que minha mãe já sabia o que estava por vir”, relembrou Lachlan.
A jornada começou em Lima, no Peru, em 12 de abril de 2025. O início foi marcado por desafios físicos imediatos: Jamie e Ewan sofreram com enjoo severo nas primeiras duas semanas, mal conseguindo reter alimentos enquanto remavam turnos exaustivos. O isolamento era total; nos primeiros 6,5 mil km, os irmãos não avistaram uma única ilha, perdendo a noção de tempo e espaço.

O momento crítico: sobrevivência no escuro
O treinamento rigoroso, que incluía pular propositalmente no mar à noite para praticar o resgate, provou ser vital. Durante uma tempestade massiva, uma parede de água de 7,5 metros atingiu o barco, arrastando Lachlan para fora da cabine.
“Na confusão, vi o nome da minha irmã no casco e percebi que estava na água”, contou ele à BBC.
Preso apenas por um cabo de segurança, ele lutou contra a correnteza até que a mão de seu irmão, Ewan, surgiu da escuridão para puxá-lo de volta. O trauma gerou uma ansiedade profunda, mas o trio precisou seguir adiante.

A chegada triunfal em Cairns
As condições climáticas forçaram mudanças constantes de rota. Sydney, o destino original, tornou-se inacessível devido à ameaça de um ciclone, desviando os irmãos primeiro para Brisbane e, finalmente, para Cairns. Jamie descreve a emoção de ver a costa australiana surgir no horizonte: “Primeiro é um borrão que você confunde com uma nuvem, até que o contorno fica nítido”.
Ao entrarem na marina à noite, foram recebidos pelo som de gaitas de foles e centenas de pessoas. O abraço na mãe, que os esperava no porto, foi descrito como o momento mais inesquecível de suas vidas. Para além do recorde de 139 dias, 5 horas e 52 minutos, os irmãos Maclean retornam com a certeza de que a união fraternal e uma boa intenção são capazes de mobilizar o mundo.
