Influencer vive rotina de mãe por 24h: “Tem um dom e algo divino”

Neste Dia das Mães, filha replica rotina exaustiva da mãe e descobre que o “multitasking” materno esconde uma entrega invisível e profunda

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"Eu não aguento 1/3 do que minha mãe fazia": o teste da vida real
1 de 1 "Eu não aguento 1/3 do que minha mãe fazia": o teste da vida real - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Às 7h12, foi registrado a primeira dificuldade do dia: Déborah Montalvão já estava atrasada para a rotina da própria mãe. O desafio proposto pelo Metrópoles era simples: será que um filho consegue sobreviver a 24 horas na pele de quem o criou? No cronograma de Edna Montalvão — que faleceu em 2024, mas deixou o roteiro de sua vida gravado na memória da família — a casa já deveria estar limpa e o café pronto. O choque de realidade veio antes mesmo do desjejum.

A convidada para o experimento de repetir a rotina da matriarca e sentir na pele os desafios foi a criadora de conteúdo Déborah Montalvão Ferreira, conhecida por compartilhar dicas de Brasília em seu perfil no Instagram, onde é acompanhada por mais de 800 mil pessoas.

Ela decidiu “calçar os sapatos da mãe” para entender o peso do legado que herdou. O resultado não foi apenas um relato de saudade, e sim uma revelção sobre a carga mental e física que define o “ser mãe”.

"Eu não aguento 1/3 do que minha mãe fazia": o teste da vida real
Déborah e sua mãe

Para que o “experimento” fosse válido, o Metrópoles estabeleceu regras: Déborah deveria seguir horários exatos, replicar tarefas invisíveis e não buscar atalhos. O que parecia uma lista de afazeres revelou-se uma maratona.

A manhã de Edna começava com o braço no balde e o joelho no chão. Limpar a casa e preparar o café eram apenas o pano de fundo para a consagração religiosa. “Ela juntava todo mundo para orar e ia para a igreja. Eu mal conseguia processar a lista de compras enquanto ela já estava em missão”, conta Déborah.

Não existia “almocinho”. O padrão era o “panelão” — comida farta para a família e para qualquer visitante inesperado. Entre lavar a louça, limpar a casa novamente e lavar roupas, havia a ida ao mercado. Não uma, mas “pelo menos umas duas vezes por dia”. O cansaço físico começa a pesar aqui, onde a multitarefa deixa de ser uma habilidade e vira uma necessidade de sobrevivência.

Quando o sol se punha, o ritmo de Edna acelerava. Preparar o jantar, estudar a Bíblia e ir para a igreja resolver questões administrativas. “Ela reunia pessoas até de madrugada em casa e acordava cedo no outro dia. Eu jamais conseguiria fazer 1/3 do que ela fazia”, confessa a filha.

"Eu não aguento 1/3 do que minha mãe fazia": o teste da vida real
Edna, mãe de Déborah, faleceu em 2024

O que o olho não vê

O experimento de Déborah revelou o “ouro” que raramente vai para as legendas de Instagram no Dia das Mães. Ser Edna por um dia significou descobrir que a mãe possuía habilidades que nenhum curso de gestão oferece:

  • Antecipação: resolver problemas que os outros nem sabiam que existiam.

  • Gestão de humor: ser o termômetro emocional da casa, acolhendo a todos mesmo sob exaustão.

  • Disponibilidade integral: o ponto de ruptura do experimento de Déborah foi perceber que não era sobre fazer coisas, mas sobre estar disponível o tempo todo.

“Eu ainda não sou mãe, então jamais vou entender toda essa entrega. Tem um dom e algo divino nisso”, diz Déborah.

"Eu não aguento 1/3 do que minha mãe fazia": o teste da vida real
Déborah com seus pai celebrando o sucesso da sua página no Instagram

A psicologia do espelho: “Ela em mim”

Para a psicóloga clínica Alessandra Araújo, esse exercício de “viver a vida da mãe” é uma ferramenta poderosa de elaboração do luto. Quando uma mãe parte, ela deixa um rastro de gestos que os filhos passam a carregar, muitas vezes de forma inconsciente.

“Muitas vezes, o que mais nos moldou não foram os conselhos falados, mas a forma como elas reagiam ao mundo”, explica Alessandra.

Segundo a especialista, o “sentir o que elas sentiam” — aquela exaustão silenciosa ou a alegria por uma pequena conquista doméstica — só ganha sentido quando passamos pela mesma situação.

Repetir esses rituais, como Déborah fez, funciona como uma “oração laica”. É uma forma de dizer ao mundo que aquela vida ainda ressoa.

“Reconhecer a presença da mãe na nossa personalidade, no nosso senso de humor ou na nossa resiliência, ajuda a apaziguar a falta física. Ela não está mais à mesa, mas está na forma como acolhemos quem amamos”, pontua a psicóloga.

O legado que fica

Ao final do dia, o experimento realizado por Déborah não terminou com uma lista de tarefas concluídas, e sim com uma compreensão renovada.

Ela percebeu que a rotina “leve” de sua mãe seria a “pesada” para qualquer outra pessoa.

Neste Dia das Mães, o teste da vida real deixa uma lição: talvez a melhor forma de homenagear uma mãe não seja apenas com flores, mas com o reconhecimento — e a divisão — desse “panelão” de responsabilidades que elas carregam, muitas vezes em silêncio, durante toda a vida.

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