Fernanda Lima sofreu com fogachos: como amenizar calores na menopausa?
Atriz relata noites intensas de suor e insônia; especialistas explicam causas, tratamentos e formas de aliviar os sintomas do climatério
atualizado
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“Teve uma noite que eu acordei fritando, igual tampinha de marmita”. Foi assim que Fernanda Lima descreveu, em entrevista ao Fantástico, a experiência de acordar suando em plena madrugada. A apresentadora relata que passou uma semana inteira levantando sempre no mesmo horário da madrugada, tomada por ondas de calor intensas — os chamados fogachos, um dos sintomas mais comuns e incômodos da menopausa.
Assim como Fernanda, muitas mulheres enfrentam os fogachos em algum momento do climatério — período que engloba a transição para a menopausa, a última menstruação da mulher. Segundo a ginecologista Tatianna Ribeiro, da clínica Rehgio, “o fogacho ocorre porque, com a queda dos hormônios, especialmente o estrogênio, o hipotálamo — região do cérebro que regula a temperatura — fica mais sensível ao calor. É como se o termostato do corpo ficasse desregulado”.
A endocrinologista Jamilly Drago, da clínica Metasense, explica que o impacto dos fogachos vai além do incômodo físico. “Tem mulheres que estão no meio de uma reunião e começam a suar de maneira visível, o que causa constrangimento. À noite, os calores costumam se concentrar no tronco e na cabeça, com rubor facial intenso e suor excessivo, o que compromete o sono e a qualidade de vida”, detalha. No entanto, há formas de amenizar esses sintomas — e as opções vão muito além da reposição hormonal.

Nem toda mulher pode (ou quer) fazer reposição hormonal
A reposição hormonal ainda é o tratamento mais eficaz contra os sintomas da menopausa. “Ela é extremamente segura hoje, com protocolos bem consolidados e estudos que mostram baixa associação com câncer de mama ou eventos cardiovasculares, quando bem indicada”, afirma Jamilly.
No entanto, ela destaca que o tratamento deve ser individualizado. Mulheres com histórico de câncer de mama, trombose, doenças hepáticas ou renais graves precisam de atenção especial. Nestes casos, pode-se optar por outras vias (como transdérmica ou vaginal) ou alternativas não hormonais.
Já Tatianna destaca que “nem todas querem fazer a reposição, e isso deve ser respeitado. Temos outras abordagens, como fitoterápicos, antidepressivos, acupuntura, além de mudanças no estilo de vida”.
Alternativas: da amora à acupuntura
De acordo com Taianna, algumas plantas medicinais como cimicifuga, red clover, yam mexicano e amora têm sido usadas para aliviar os sintomas, com resultados variáveis.
“A tibolona, derivada de esteroides, é outra opção em alguns casos; e ansiolíticos, como gabapentina e clonidina”, explica Jamilly.
Medidas comportamentais também fazem diferença. “Exercício físico regular, controle de peso, evitar álcool e cafeína, manter boa higiene do sono e reduzir o estresse ajudam muito”, diz a ginecologista. A terapia cognitivo-comportamental também pode ser aliada na regulação emocional.

Menopausa não é fim: é transição
Segundo as especialistas, além dos fogachos, o climatério pode trazer insônia, perda de memória, alterações de humor, ressecamento vaginal, infecções urinárias de repetição e queda na libido. Com informação e acompanhamento médico, esse período pode ser vivido com mais leveza.
“A menopausa não é doença. É uma fase natural da vida da mulher. O importante é que ela se sinta acolhida, informada e empoderada para buscar o que for melhor para ela”, resume a ginecologista.
Por fim, Fabiana ressalta que Fernanda Lima, com sua fala franca e aberta, tem ajudado a jogar luz sobre um tema que por muito tempo ficou à margem. Ao compartilhar sua experiência, ela convida outras mulheres a fazerem o mesmo. Afinal, como bem disse a ginecologista, “envelhecer é inevitável. Mas pode — e deve — ser feito com qualidade de vida”.








