Exercício físico: aliado ou vilão no tratamento da fibromialgia?
Especialista esclarece como a atividade física bem orientada pode reduzir dores e melhorar a qualidade de vida dos pacientes
atualizado
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Diferente do que o senso comum pode sugerir, o repouso absoluto não é o melhor caminho para quem convive com a fibromialgia. Embora a síndrome seja caracterizada por dores musculares crônicas e fadiga, o sedentarismo pode agravar o quadro.
Segundo especialistas, a prática regular de exercícios, quando aplicada de forma estratégica, é uma das ferramentas mais eficazes para o controle dos sintomas e a promoção do bem-estar.
O ortopedista Kaleu Nery, explica que o movimento é, na verdade, parte do tratamento. “Hoje sabemos que o exercício físico pode ajudar bastante quem tem fibromialgia”, afirma o médico. O segredo, segundo ele, não está na intensidade, mas na adaptação e na constância.
Entenda
- Benefícios multidimensionais – treinos de força e exercícios aeróbicos moderados atuam diretamente na redução da percepção da dor, além de melhorarem a regulação do sono.
- Risco da intensidade precoce – como pacientes com fibromialgia possuem maior sensibilidade à carga, treinos muito intensos ou aumentos súbitos de peso podem gerar crises e piorar os sintomas.
- A regra da progressão – o tratamento exige que o paciente comece devagar e evolua o condicionamento de forma gradual e respeitosa aos limites do corpo.
- Papel do acompanhamento – o exercício deixa de ser um risco e se torna remédio quando é bem orientado por profissionais que compreendem as particularidades da síndrome.

O equilíbrio entre força e sensibilidade
A grande barreira para muitos pacientes é o medo de que o esforço físico resulte em mais dor. Kaleu Nery esclarece que essa sensibilidade aguçada é real, mas não deve ser um impedimento.
O foco deve ser em atividades de impacto moderado que estimulem a liberação de endorfina e dopamina, neurotransmissores que auxiliam no bloqueio natural da dor.
“Quando o exercício é bem orientado e progressivo, ele se torna uma parte fundamental do tratamento multidisciplinar”, reforça o ortopedista.
Ao fortalecer a musculatura e melhorar a capacidade cardiovascular, o corpo torna-se mais resiliente, reduzindo os episódios de fadiga extrema e permitindo que o paciente retome sua autonomia nas atividades diárias.














