Cuidado: alimentos “saudáveis” que podem esconder riscos ao coração
Cardiologista alerta para o perigo de alimentos ultraprocessados com rótulos fit e o excesso de açúcar em sucos e granolas industriais
atualizado
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Nem tudo o que brilha nas prateleiras de produtos naturais faz bem ao sistema cardiovascular. Muitas vezes, o marketing nutricional esconde ingredientes que, em excesso, tornam-se gatilhos para o aumento do colesterol e da pressão arterial.
Segundo o cardiologista Wendel Silva Issi, o consumo inadvertido de alimentos rotulados como “saudáveis”, mas carregados de sódio e açúcares ocultos, é um desafio crescente nos consultórios. A chave, segundo as diretrizes médicas internacionais, está em diferenciar o alimento em sua forma natural de sua versão industrializada.
Entenda
- Sucos de fruta: a ausência de fibras e a alta concentração de frutose podem elevar os triglicerídeos.
- Falsos integrais: granolas e barras de cereais industrializadas costumam conter excesso de açúcar e gorduras.
- Laticínios e gordura: versões integrais de queijos e leites possuem gordura saturada que eleva o LDL (colesterol “ruim”).
- Armadilhas do rótulo: alimentos “fit”, “light” ou “sem glúten” podem ser ultraprocessados com alto teor de sódio.
O perigo líquido e a falta de fibras
Um dos erros mais comuns na dieta moderna é a substituição da fruta inteira pelo suco, mesmo o natural. Wendel explica que, ao espremer a fruta, removem-se as fibras essenciais, restando apenas o açúcar (frutose) de rápida absorção.
“Isso pode favorecer alterações no metabolismo da glicose e o aumento dos triglicerídeos”, alerta o especialista, que recomenda priorizar a fruta em sua forma sólida.

A ilusão das barras e cereais
Produtos como granolas e barras de cereais são frequentemente associados à saúde, mas a realidade industrial é outra. Para garantir sabor e crocância, fabricantes adicionam açúcares e gorduras saturadas.
O mesmo ocorre com pães integrais de prateleira, que muitas vezes possuem uma lista extensa de conservantes e aditivos químicos. O consumo frequente desses itens contribui diretamente para o aumento do risco cardiovascular.
Gorduras saturadas e o colesterol “ruim”
No grupo dos laticínios, a moderação é a regra de ouro. Embora sejam fontes de cálcio, as versões integrais são ricas em gordura saturada. O excesso desse nutriente está diretamente ligado à elevação do LDL-colesterol, fator determinante para a formação de placas de gordura nas artérias.
“Fit” não significa livre de riscos
O cardiologista chama a atenção para os ultraprocessados com apelo “fit” ou “sem glúten”. Frequentemente, para compensar a retirada de um ingrediente, a indústria eleva os níveis de sódio e gordura para manter a palatabilidade.
A orientação médica é enfática: a base da proteção do coração deve ser composta por alimentos naturais ou minimamente processados. Frutas, verduras, legumes e grãos integrais verdadeiros continuam sendo os únicos com evidência consistente de proteção cardíaca.














