Dia do Chimarrão: erva-mate turbina o metabolismo e protege o coração
Celebrado em 24 de abril, o chimarrão, bebida tradicional do Sul, vai além da cultura e oferece ação antioxidante, foco e auxílio digestivo
atualizado
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Neste 24 de abril, o Brasil celebra o Dia do Chimarrão, data que homenageia a fundação do primeiro Centro de Tradição Gaúcha (CTG 32). Herança dos povos guaranis, o hábito de compartilhar a cuia tornou-se a segunda bebida mais consumida no Sul, atrás apenas da água, com uma média de 10 kg de erva-mate por habitante ao ano.
O costume atravessa gerações e também ecoa na cultura popular — como no verso da música Chimarrão do grupo Os Monarcas: “Eu quero um chima, um chima, chimarrão / pra matar a sede da tradição”.
Mas, para além do simbolismo social, a ciência revela que o “amargo” favorito dos gaúchos é uma potência nutricional capaz de proteger o coração e acelerar o metabolismo.
Entenda
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Poder antioxidante: rica em compostos fenólicos, a erva-mate combate o envelhecimento precoce e ajuda a prevenir doenças cardiovasculares.
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Energia e foco: a presença de cafeína (mateína) melhora a concentração e reduz a fadiga com um efeito mais gradual e prolongado que o do café.
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Aliado do metabolismo: seus compostos auxiliam na oxidação de gorduras e na melhora da sensibilidade à insulina, ajudando no controle do peso.
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Auxílio digestivo: o consumo estimula a produção de bile, facilitando a digestão após refeições pesadas, como o tradicional churrasco.
A ciência por trás da cuia
Para a nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, a erva-mate é um “superalimento” cultural. Ela explica que a bebida oferece uma combinação única de minerais como potássio, magnésio e manganês, essenciais para a saúde óssea e muscular.
“A erva-mate oferece uma combinação interessante de compostos bioativos. Os antioxidantes ajudam a combater os radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo — um dos fatores associados ao desenvolvimento de doenças crônicas”, destaca Taynara.
Diferente de outros estimulantes, o chimarrão é conhecido por manter o estado de alerta sem causar picos bruscos de agitação. Segundo a especialista, isso ocorre pela forma como a cafeína interage com os outros componentes da planta.

Metabolismo e digestão
Frequentemente acompanhando pratos calóricos, o chimarrão desempenha um papel estratégico na mesa dos brasileiros. A nutricionista aponta que a bebida tem efeito diurético e metabólico.
“Estudos indicam que seus compostos podem auxiliar na oxidação de gorduras e na melhora da sensibilidade à insulina. Além disso, o consumo moderado pode estimular a produção de bile e facilitar a digestão, especialmente após refeições mais volumosas”, explica a nutricionista.

Atenção à temperatura e moderação
Apesar das vantagens, o hábito exige cuidados. A tradição de beber o chimarrão muito quente pode ser um risco para a saúde digestiva a longo prazo. Taynara reforça que o equilíbrio é a chave para aproveitar as propriedades da erva sem contraindicações.
“O consumo excessivo, principalmente em temperaturas muito elevadas, pode causar irritação na mucosa do trato digestivo. Por conter cafeína, não é indicado exagerar, especialmente para pessoas sensíveis, gestantes ou com distúrbios do sono”, alerta a especialista.
Seja no chimarrão quente ou no tereré gelado, a erva-mate se consolida como uma aliada do bem-estar, desde que integrada a um estilo de vida consciente e equilibrado.
