Dermatologista explica como estresse e telas afetam a saúde da pele
Estresse, uso excessivo de telas e falta de orientação profissional em skincare acendem alerta para cuidados integrados
atualizado
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O Brasil consolidou-se como um dos líderes mundiais em tempo de tela e consumo de redes sociais, mas o reflexo dessa hiperconectividade vai além do cansaço mental: ele está gravado na pele. Com uma média de nove horas diárias de exposição digital e uma rotina marcada pela alta carga mental, o brasileiro enfrenta um novo desafio dermatológico. O cenário é agravado por um paradoxo: embora o consumo de conteúdos sobre skincare seja massivo, cerca de 70% dos jovens nunca consultaram um dermatologista, segundo dados da L’Oréal Beleza Dermatológica e Datafolha.
Entenda
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Impacto emocional: o estresse crônico libera cortisol, hormônio que enfraquece a barreira cutânea e agrava doenças como acne e psoríase.
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O perigo das telas: a exposição à luz azul e a privação de sono interferem na melatonina, prejudicando a regeneração celular e o viço da pele.
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Skincare sem filtro: o uso indiscriminado de ácidos e ativos recomendados por influenciadores, sem supervisão médica, tem causado irritações e sensibilidade.
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O básico funciona: especialistas defendem que a constância em hábitos simples e a redução de etapas na rotina são mais eficazes do que o excesso de produtos.
A conexão entre mente e pele
A pele não é apenas um invólucro, mas um espelho direto do estilo de vida. A chamada dermatologia comportamental estuda como fatores como sono irregular, alimentação e tensão emocional se manifestam na derme. Segundo Camila Mazza, médica pós-graduada em dermatologia, a conexão entre o sistema nervoso e a pele é imediata.
“Quando o estímulo do estresse se torna crônico, favorece processos inflamatórios e aumenta quadros de oleosidade. Esse desequilíbrio pode desencadear rosácea, dermatites e até impactar a saúde capilar”, explica a médica.
O desafio do mundo digital
Além do estresse, o comportamento digital dita o ritmo do envelhecimento precoce. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos, especialmente antes de dormir, inibe a produção de melatonina. Sem o descanso adequado, a pele perde a capacidade de se recuperar das agressões diárias, tornando-se mais opaca, reativa e vulnerável.
Camila Mazza ressalta que o cuidado eficaz exige uma mudança de postura que vai além da prateleira de cosméticos.
“Muitas vezes, simplificar é o que traz resultado”, afirma.
Entre as recomendações fundamentais estão a redução do tempo de tela à noite, a prática de atividades físicas para controle do estresse e o “básico bem-feito”: limpeza, hidratação e proteção solar.

A estratégia para uma pele saudável, portanto, parece residir no equilíbrio. Em um país que consome rotinas de beleza por meio de algoritmos, o retorno ao acompanhamento profissional e a desaceleração da rotina surgem como os melhores tratamentos para manter a saúde e o viço em dia.








