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Em apenas um clique, é possível ter acesso às redes sociais de alguém que se esbarrou na rua, em uma festa, um restaurante ou no metrô. Parece o roteiro de algum episódio de BlackMirror, mas é a realidade. O chamado FindFace foi criado pela dupla de russos Artem Kukharenko e Alexander Kabakov, e ultrapassa todos os limites da falta de privacidade.

Após baixar, o app pede acesso à seu Facebook e e-mail. Até aí, o cenário parece normal. O usuário pode fazer o download de uma foto antiga ou abrir a câmera e tirar uma nova imagem. Depois, aperte uma tecla e pronto: uma lista de pessoas com traços semelhantes aparecem como opção.

Reprodução

O aplicativo recolhe seus traços fotográficos à partir de redes sociais

 

Você pode encontrar ou não quem está procurando. O Metrópoles testou a tecnologia com dois repórteres e nenhum foi encontrado, apesar de terem perfis públicos em redes sociais. No entanto, uma série de nomes surgiram localizados na Rússia e nos Estados Unidos.

Em entrevista ao The Guardian, os idealizadores do FindFace afirmaram terem criado o aplicativo para reconhecer somente fotos de usuários da Vkontakte, rede social mais famosa da Rússia. Agora já atualizado, é possível também o rastreamento em plataformas como Facebook e Twitter, mas a localização continua restrita à países europeus e norte-americanos.

Protesto fotográfico
Com a popularização da ferramenta na Rússia desde o seu surgimento, em 2016, o fotógrafo Egor Tsvetko deu início a um projeto assustadoramente refinado: Your Face is Big Data – algo como “Seu rosto é um grande banco de dados”.

O projeto consiste em fotografar desconhecidos no metrô e testar a possibilidade de encontrá-los no FindFace. Os personagens, na maioria dos casos, estão olhando para baixo ou dormindo, mas ainda assim, foram encontrados.

“O desenvolvimento de tecnologias tira das autoridades o poder de identificação de uma pessoa à partir de uma imagem e transmite essa autoridade a literalmente qualquer usuário da internet. Inconscientes do risco, as pessoas continuam a se fechar para a sociedade, mas se abrem inteiramente nas redes sociais”, afirmou o fotógrafo em seu site oficial.

A capacidade de pesquisar rápida e anonimamente a página de uma pessoa nas plataformas on-line, transforma um objeto impessoal em um conhecido próximo."
Egor Tsvetko
Reprodução/Egor Tsvetko

 

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