Em isolamento, 115 milhões de novos usuários se rendem ao TikTok

Sucesso entre famosos e anônimos, o aplicativo proporciona entretenimento e ajuda a tirar o tédio na quarentena – mas requer cuidados

atualizado

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arte tiktok
1 de 1 arte tiktok - Foto: Yanka Romao /Metrópoles

Milhões de usuários se renderam ao TikTok em meio à pandemia do novo coronavírus, em uma tentativa de minimizar o tédio na quarentena. Segundo relatório da consultoria Sensor Tower, o aplicativo de vídeos foi um dos mais baixados em todo o mundo no mês de março deste ano.

Foram mais de 115 milhões de downloads, quase o dobro dos números alcançados no mesmo período de 2019. O Brasil corresponde a 9,4% das instalações.

A consultora e digital estrategista Rebecca Lyrio acredita que o sucesso do TikTok é embasado na produção de conteúdos feitos para entreter os usuários de uma maneira simples e objetiva.

“Por ser uma ferramenta de vídeos curtos e com muita recursos, isso ajuda na manipulação e compartilhamento do conteúdo produzido”, explica a especialista.

Diversão na quarentena 

Para o público ligado nas redes sociais, o TikTok virou um aliado no alívio do estresse do isolamento social. Não à tona, o app ganhou uma enxurrada de novos usuários, famosos e anônimos.

“Foi uma das formas que eu encontrei para me divertir e, principalmente, me distrair dos pensamentos ruins”, desabafa o modelo fotográfico Thay Gadioli.

Além de ser um grande consumidor de conteúdos veiculados na plataforma, o brasiliense de 25 anos produz vídeos para o aplicativo. Ele aposta no bom-humor e conquista sua parcela de audiência. A estratégia tem dado certo. Com caras e bocas, já conquistou mais de 18 mil seguidores.

O contato com a rede social surgiu quando a plataforma ainda se chamava Musical.ly. “Procurei por tutoriais no YouTube para aprender a mexer no app, e comecei a postar os vídeos sem pretensão. O número de usuários foi crescendo. Hoje, não largo o TikTok por nada. É um caminho sem volta”, relata Thay.

Dança e comédia são as categorias que aparecem com mais frequência no feed do modelo, tanto na busca quanto na produção.

Obstinado a crescer nessa rede social, ele moldou sua rotina para manter uma constância de gravações e postagens. “Tem dias que gravo vídeos de uma única vez, e guardo no rascunho para postar depois, ao decorrer da semana”, conta.

Os conteúdos ainda ajudam Thay a adquirir autoconfiança. Ele passa, agora, por uma processo de transição de gênero.

@gadioli.thaySuper real isso ? ##foryou ##brasíliadf ##tiktokthay ##comedia ##windersson ##destacame♬ som original – dinho_souza

Com cenas criativas e livres de pudores, o empreendedor digitalDaniel Abem, 30, roteiriza e interpreta cômicos personagens no aplicativo. São mais de 44 mil usuários que compartilham risadas nos vídeos do morador de Brasília.

“O TikTok é um entretenimento. Ele auxilia a pessoa a dar uma boa gargalhada e, consequentemente, a relaxar”, opina.

Para o futuro do app, o creator acredita que a plataforma possa ser um risco à popularidade do Instagram, rede social de vídeos e fotos na qual é seguido por 134 mil pessoas.

“De maneira estratégica, o TikTok pode lançar ferramentas como os Stories, aumentando as chances de empresas apostarem comercialmente no aplicativo”, avalia.

@danielabemTem que mandar essa receita pra quem? ##amigas ##humorbr ##humor ##tiktok ##tiktokbrasil ##commedy ##comedia ##vsco ##amiga♬ som original – danielabem

Apenas o começo

A previsão unânime entre os especialistas é de que a avalanche TikTok esteja apenas começando.

“Por meio de parcerias e ações com grandes marcas, como Ambev e Nestlé, o aplicativo promete crescer ainda mais”, garante a consultora e estrategista digital Rebecca Lyrio.

“Como o investimento e gestão de mídia dentro da rede ainda é nulo, isso representa mais uma possibilidade de expansão de negócios entre as empresas e consumidores”, enfatiza a especialista.

Campanha contra o coronavírus

O app se beneficiou muito em meio à crise do coronavírus, mas não fecha os olhos para a problemática. Pelo contrário. Em comunicado à imprensa, o app anunciou a doação de US$ 250 milhões, aproximadamente R$ 1 bilhão, para profissionais de saúde, educadores e comunidades locais afetados pela pandemia.

“Estamos comprometidos em fazer nossa parte na onda global de mútuo apoio e dedicação. Queremos ampliar tudo o que estamos vendo em nossa comunidade e traduzir em alívio concreto para os mais afetados por esta crise”, declarou o presidente do TikTok, Alex Zhu.

Desafios perigosos e censura

O app de origem chinesa pode, sim, ser uma boa alternativa para aliviar tensões na quarentena, mas é importante saber usá-lo com sabedoria e, mais do que isso, entender as polemicas que o envolvem.

Há algumas semanas, o site The Intercept publicou uma denúncia na qual acusa os moderadores da rede de esconderem pessoas “feias e pobres” do feed dos usuários.

Segundo a postagem, a regra é ocultar publicações empobrecidas da seção Para Você, que entrega conteúdos baseados em algoritmos dos quais pouco se sabe a respeito.

Entre os materiais censurados, estavam aqueles que mostravam “barriga de cerveja, muitas rugas e distúrbios oculares”, entre outras características consideradas de “baixa qualidade”. Favelas e campos rurais eram expressamente proibidos. Não havia, também, nenhuma política antibullying na empresa, extremamente popular entre crianças e jovens.

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Fora isso, o TikTok é usado como meio de propagação de desafios que põem em risco à saúde dos usuários. Basta lembrar de “brincadeiras” recentes, como o Desafio do Coronavírus e o Desafio do Sal.

Além de expor jovens a situações danosas à saúde, essas correntes podem trazer problemas do ponto de vista psicológico. Para entender melhor perigos que circundam a plataforma, acesse a matéria Censura e risco à saúde. Entenda o lado perigoso do Tiktok, produzida pelo Metrópoles.

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