Dependente de homem? Saiba o que é e se você tem Complexo de Cinderela
Em 1981, Colette Dawling intitulou o medo de independência das mulheres de Complexo de Cinderela. Psicóloga afirma que tema segue atual
atualizado
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Em 1981, a pesquisadora americana Colette Dowling esmiuçou, em livro homônimo, um comportamento conhecido como Complexo de Cinderela. Passados mais de 40 anos, o medo que algumas mulheres têm de serem independentes segue um tema atual — e mais comum do que se imagina.
Antes de ficar famosa pelo livro que cunhou o termo, Colette acreditava que sempre haveria alguém “mais forte” para protegê-la. Mas, ao se divorciar, ela percebeu que precisava assumir as responsabilidades sozinha e cuidar de si mesma. Depois de estudar depoimentos de outras pessoas, consultar médicos, psicólogos e demais especialistas, ela pôde comprovar que a dependência feminina não é criada apenas pelos homens, mas também, em alguns casos, é estimulada pelas próprias mulheres.
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“A síndrome pode ser definida como a necessidade de ser protegida e cuidada a todo momento, deixando de lado suas próprias vontades ou atividades, por conta da criação ou de pressão social”, segundo a psicóloga Marina Araújo Holanda explicou em uma postagem nas redes sociais.
Como acontece atualmente
Muitas mulheres se reconhecem “Cinderelas” quando leem esse curioso estudo, por rejeitarem, inconscientemente, as responsabilidades da vida, e pensarem que a solução dos seus problemas está em encontrar o “príncipe encantado”.
Para Marina Araújo Holanda, o assunto permeia muitas discursões atuais, sobretudo no âmbito emocional. “Ainda somos extremamente apegadas ao ponto de não conseguirmos nos sentirmos bem sozinhas. E eu não estou dizendo que não é para as pessoas não terem relacionamentos ou se casarem. No entanto, quando começamos a colocar toda a nossa felicidade, existência e motivo de vida em outra pessoa, é algo que precisa ser avaliado”, declara. A especialista costuma receber esse tipo de caso em atendimentos, sobretudo de adolescentes.
Por outro lado, a professora de psicologia do Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB) Tatiana Jezini Netto acredita que as mulheres estão cada vez mais independentes. “Esses casos são cada vez mais presentes na clínica. Nos processos terapêuticos, abordamos os impactos da dupla jornada, das escolhas, de eventuais sentimentos de culpa por inúmeros fatores, parceria ou falta dela em seus relacionamentos…”, emenda.
É um problema?
De acordo com a obra de Colette, esse complexo tem origem ainda na infância, quando meninas são criadas idealizando um príncipe encantado para fazê-las felizes, como se a felicidade não pudesse ser alcançada sozinha. Além disso, faz com que mulheres acreditem que suas únicas alternativas são casar e cuidar do lar.
Quando casados, tanto o homem quanto a mulher tem o direito de terem suas vidas particulares, lutar por suas metas e sonhos. Já para as pessoas que possuem a “síndrome”, ao contrário do que seria o “natural”, a mulher tem a obrigação de ficar em casa e ser protegida pelo marido.
Para Tatiana, os contos de fadas trazem esses arquétipos. A nova geração de princesas “empoderadas”, por sua vez, vem mudando esse pensamento. “Vejo mulheres revendo seus papéis, tornando-se mais independentes e criando filhos e filhas da mesma forma”, fala.
Marina salienta que a culpa não exclusiva dos contos de fadas, mesmo que eles reforcem essa ideia. Ela acha que os contos de infantis são apenas o reflexo da sociedade, que tende a criar meninas para serem frágeis, desprotegidas, dependentes e dispostas a fazerem tudo por amor. “É errado criá-las para que esperem sentadas pelo príncipe e que a sua felicidade dependa dele”, encerra Marina.
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