Atriz trans do clipe de Fiuk é brasiliense: conheça Gabrielle Joie

A jovem tem 22 anos e nasceu em Ceilândia. Além de estrelar o vídeo de Fiuk, ela já atuou em tramas de sucesso da Rede Globo

atualizado 07/03/2021 8:54

Cortesia

Gabrielle Joie teve o nome estampado nos principais jornais e sites de entretenimento do país na semana passada, após o lançamento do clipe Amor da Minha Vida, de Fiuk. No vídeo, a artista faz par romântico com o cantor e filho de Fábio Júnior, atualmente confinado no BBB21. A carreira da jovem de 22 anos, no entanto, não é a única que merece destaque. Nascida em Ceilândia, uma das cidades mais humildes do Distrito Federal, ela também tem uma história de vida digna dos holofotes.

A brasiliense é transsexual e divide-se entre a carreira de modelo e atriz. Com passagens pela São Paulo Fashion Week e Rede Globo, ela leva a bandeira da representatividade para espaços importantes da mídia. Em entrevista ao Metrópoles, Gabe, como gosta de ser chamada, falou sobre autoaceitação, preconceito e relação de amor eterno por Brasília.

Descoberta da transexualidade e carreira de modelo

Filha de uma pedagoga e um caminhoneiro, ela guarda na memória momentos felizes da infância. “Amava ir à Feira de Ceilândia com a minha mãe. Era o nosso programa de domingo preferido”, lembra. Outro passatempo dela quando criança era visitar os amigos no Riacho Fundo, Recanto das Emas e Guará.

Anos mais tarde, já na adolescência, foi quando ela descobriu sua transexualidade. “Me percebi trans aos 16 anos e tive a sorte de passar pela transição com o apoio da minha família. Como não existiam muitos ícones transexuais, a minha irmã mais velha, Ingrid, foi a minha grande musa inspiradora. Ela era modelo na época, e eu sempre admirei muito sua beleza. Foi com o apoio dela, aliás, que comecei a trajetória nas passarelas”, conta.

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O primeiro convite para modelar surgiu na internet. “Após a transição, criei um canal no Youtube e passei a alimentar as minhas outras redes sociais com fotos tiradas por amigos pelas ruas do Plano Piloto. Um olheiro chegou a um desses retratos e me convidou para desfilar na SPFW. Sequer hesitei. Peguei minhas economias, já que meus pais não puderam custear a viagem; e entrei em um ônibus com minha irmã rumo à capital paulista, na cara e na coragem”, lembra.

O desfile abriu portas e, dois anos depois, Gabe mudou-se de vez para São Paulo. Hoje, ela tem no currículo campanhas para marcas importantes de moda e beleza, como Eudora, Natura e Vivara. Também chegou a dividir as passarelas de um desfile com Valentina Sampaio, trans cearense que já estampou a capa da Vogue Paris.

Trabalhos na TV

Ao assistir vídeos de Gabrielle no Youtube, o diretor Bruno Barreto enxergou potencial na jovem e a convidou para atuar na série Toda Forma de Amor, exibida pelo Canal Brasil em 2019. Na trama, ela interpretou Marcela, uma trans em conflito com a mãe.

Depois, ela foi escalada para encarnar Michelly, outra personagem trans, em Bom Sucesso, da Rede Globo. Com o feito, Gabe tornou-se a primeira brasiliense transexual a atuar em uma novela da emissora. Na casa, ela também participou da série Sob Pressão, interpretando, novamente, uma menina em processo de transição.

“Tenho me dedicado cada vez mais à atuação e, apesar de ser muito feliz dando vida a personagens trans, não quero ser limitada a isso. Como todo artista, sou cameleoa. Quero interpretar personagens que não têm nada a ver comigo”, comenta. O maior sonho dela é interpretar uma vilã.

gabielle joie
“Fiz teatro a vida toda e tenho me dedicado cada vez mais à atuação”, declara Gabe Joie
Clipe com Fiuk

Em mais uma grata surpresa da vida, Gabrielle foi convidada para contracenar com Fiuk no clipe Amor da Minha Vida, lançado há uma semana. O vídeo mostra cenas românticas dos dois e conquistou a internet, alcançando a marca de 1 milhão de visualizações em apenas alguns dias.

“Fiuk foi um querido e agiu com muito profissionalismo comigo. Não assisto BBB, por causa da minha rotina agitada, mas ele com certeza tem a minha torcida”, diz.

 

Luta contra o preconceito

Assim que descobriu sua transexualidade, a ceilandense temeu ser inserida compulsoriamente no mundo da prostituição. “As primeiras trans com as quais tive contato eram prostitutas. A esmagadora maioria, por falta de opção”, lamenta.

“Eu consegui, com muito trabalho e uma boa dose de sorte, não somar a esta triste estática de trans que precisam vender seus corpos para literalmente sobreviver”, acrescenta, afirmando que, mesmo assim, enfrentou ambientes de estudo e trabalho inóspitos.

Ela fala, ainda, sobre o fato do Brasil ser o país que mais mata transexuais no mundo. “Precisamos mudar isso, para ontem”, exclama. Na ótica dela, a maneira mais eficiente de fazer isso é apoiar a representatividade.

“Recebo muitas mensagens de gratidão nas redes sociais, mas quero levar o meu trabalho ainda mais longe para fincar de vez o bastão da representatividade na mídia e facilitar o caminho das meninas que vierem depois de mim”, declara, dizendo ter dois trabalhos como atriz já engatilhados.

“Não posso dar grandes detalhes, apenas dizer que são muito empolgantes”, finaliza, esperançosa pelo que vem por aí.

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