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É comum se deparar, virtualmente, com um artista reclamando de ter sua foto retirada do ar por desobediência a alguma política de privacidade do Instagram. Essa exclusão, no entanto, não vem acompanhada de uma explicação concreta, a não ser de que a imagem não vai de encontro com as tais regras da rede.

A exclusão de contas ou fotografias no Instagram acontece somente após uma série de denúncias feitas por usuários comuns. Essa é uma batalha constante que artistas como Molly Soda e Arvida Byström enfrentam ao exporem em suas redes sociais conteúdos explícitos, como nudez artística ou mulheres com pelos à mostra.

Arvida Byström possui aproximadamente 245 mil seguidores, enquanto Molly Soda conta com cerca de 69 mil. O que as duas têm em comum? O desejo de expor, por meio da arte, a realidade cotidiana, frequentemente mascada por edições excessivas ou poses forjadas.

Cansadas de terem seu conteúdo banido, as artistas pediram ao Instagram que entregasse a elas todas as fotos excluídas. Entre milhares de imagens, escolheram 250 para o livro Pics or It Didn’t Happen (Fotos ou Então não Aconteceu, em tradução livre).

A diferença entre este conteúdo e outros é a reflexão proposta sobre o limite de cada fotografia. “A exclusão depende do contexto. As pessoas olham o que mais está acontecendo no seu feed. Algumas têm contas de nudez parcial há meses, mas aí uma das fotos é denunciada e, do nada, é tratada como um perfil pornô e, então, o derrubam do ar”, explicou Arvida Byström em entrevista à Vice.

Ainda buscando uma lógica sobre a política de divulgação da rede, Molly Soda acredita que o ponto de vista pessoal interfere no processo como um todo. “Depende de quem é o corpo. Certos físicos são mais sexualizados, puramente por como estamos acostumados a vê-los.”

Apesar da agonia em não saber a fórmula exata para que seus respectivos perfis parem de sair do ar, as artistas garantem: o número de denúncias vêm diminuindo.

“O Instagram precisa mostrar mais coerência e ser mais específico. Também necessita parar de tirar do ar coisas só porque são um pouco perturbadoras socialmente. Como pelos pubianos, por exemplo. Agora, os corpos estão sendo tratados de maneira diferente, e isso é perigoso” , afirma Arvida Byström.

“Mas eu não acabaria com as diretrizes. Precisamos delas – não quero ver fotos de pintos nem decapitações”, completou Molly Soda.

“Pics or It Didn’t Happen” está disponível na Amazon e custa US$ 5,29 – algo em torno de R$ 17.

Divulgação

O livro reúne cerca de 250 imagens banidas do Instagram pelos mais diversos motivos



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