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Vivemos na era de selfies, celulares com máquinas avançadas, redes sociais com ferramentas específicas para postar todos os momentos do dia. Imprimir fotos ficou no passado e quase ninguém mantém esse costume. Contrariando o movimento do “eu faço”, um serviço se destaca e cresce muito: ensaio fotográfico com recém-nascidos ou newborn, como ficou conhecido.

O resultado encanta. Fotos fofas de bebês vestindo roupinhas engraçadas, em poses montadas e com visual tranquilo. Parece fácil, não é mesmo? Mas, não é. Mexer com newborns envolve muito mais que domínio de luz e técnicas.

Felipe Menezes/Metrópoles

É preciso saber manusear a criança, os posicionamentos que oferecem mais segurança e conforto, técnicas de primeiros socorros, fisiologia, infectologia, conhecer os limites do bebê e muito mais. As fotógrafas Gabrielle Aine e Lívia Lucas trabalham nesse segmento há três anos. Uma auxilia a outra (é sempre bom ter ajuda na hora de lidar com recém-nascidos) e juntas comandam o projeto Click Solidário.

Felipe Menezes/MetrópolesO trabalho é uma forma de possibilitar que mães carentes tenham fotos de seus filhos. Todo mês uma família com renda de até dois salários-mínimos é contemplada e ganha um ensaio.

Em geral, as sessões são feitas quando o bebê tem de cinco a 15 dias de vida, e duram de duas a quatro horas. O processo é demorado, pois os limites do pequeno modelo devem ser respeitados. Toda vez que ele “reclama” é devolvido aos braços da mãe. Sem contar as pausas para mamar, trocar fralda. O ambiente do estúdio também é pensado para oferecer conforto ao newborn e está sempre com a temperatura entre 28º e 29º.

Como as fotos são realizadas nos primeiros dias de vida do bebê, cliente e fotógrafo precisam conversar com antecedência para que o profissional tenha uma previsão da data do parto e possa se programar.

A primeira parte do ensaio é unicamente da criança. Explora poses uterinas do recém-nascido (ou seja, as que ele fazia na barriga da mãe) e características do pequeno. Em um segundo momento, entram os pais para mostrar o vínculo familiar.


Em setembro, o vencedor foi o pequeno Lucas Vinicius, que tinha apenas 10 dias de vida e encarou três horas de fotos. Durante todo o ensaio, a fotógrafa conversou com a mãe, Karine, de 17 anos. Explicando tudo que estava fazendo com o seu filho, dando algumas dicas – que aprendeu com enfermeiras – de como proceder no dia a dia, perguntava sobre o bebê e sua rotina, como estava a família, tudo com muita paciência. A mãe não pode estar nervosa, pois passa o sentimento para a criança. O trabalho deve ser tranquilo, para não estressar o bebê.

Felipe Menezes/MetrópolesSempre que as profissionais encostam no chão, ou em algum objeto que não faz parte do ensaio, passam álcool gel nas mãos. A preocupação com a limpeza é constante. Cada “prop” (manta, acessório, peça de roupa e de decoração usados na produção) é de material próprio para ensaios com bebês. Eles são lavados e higienizados em seguida. As fotógrafas não usam hidratante com cheiro, perfumes, bijuterias, joias, nada que possa causar alergia ou arranhar o recém-nascido.

Lucas não consegue se adaptar em uma cadeirinha estofada e as profissionais não forçam a barra. Mudam imediatamente a locação dos próximos e últimos cliques. Karine participou do projeto Click Solidário e não pagou nada. No entanto, os interessados em realizar um ensaio semelhante precisam desembolsar entre R$ 800 e R$ 2 mil (ensaio e álbum).

Gabrielle explica o motivo do investimento ser relativamente alto. “Estamos falando de uma área que necessita de especialidade, cursos, workshop, congressos, livros, reciclagem constante… e isso exige um gasto muito grande. Além disso, os acessórios precisam ser seguros, antialérgicos, bonitos, e com o uso e higienização sua vida útil é curta, acarretando em novas aquisições. Por fim, contabilize o tempo gasto em planejamento, preparação, o ensaio em si, e o tratamento de cada imagem individualmente. E na sessão newborn só agendamos um ensaio por dia, para não termos pressa.”

A fotógrafa deixa o alerta: se encontrar um profissional cobrando muito abaixo do preço de mercado, desconfie. Ele com certeza não é bem capacitado ou não está investindo em produtos de qualidade para o cenário das fotos.

É importante verificar também se o profissional possui referências, especializações e se faz parte da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN) ou da International Newborn Photography Association (INPA).

 



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