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A jornalista Maju Coutinho fez um extenso relato sobre os momentos de tensão que viveu em um voo na última quinta-feira (7/6). A jornalista estava em Paris, onde havia participado do Fórum Internacional de Meteorologia, e se preparava para retornar a São Paulo. Já dentro da aeronave, a demora para decolagem começou a deixar alguns passageiros tensos.

“O avião deveria sair de Paris às onze da noite, mas, pouco antes da partida, o comandante avisou que havia um problema eletrônico que levaria 40 minutos para ser resolvido. Passado o tempo previsto, veio um novo aviso: era necessário esperar mais 30 minutos para a reiniciar o sistema eletrônico do avião. No terceiro comunicado, quase duas horas depois do início do problema, o piloto disse que tudo estava solucionado e decolaríamos assim que a torre de controle autorizasse. Porém, antes de finalmente decolarmos, uma passageira jurou ter visto fogo em uma das turbinas do avião e acabou incendiando grande parte da galera que já estava inflamada de tanto estresse. Reclamações, então, viraram gritaria, que logo culminou em histeria”, escreveu.

Ela contou ter usado técnicas de respiração que faz em suas meditações diárias para “manter o mínimo de serenidade e sanidade. Ponderei que o piloto, zelando pela própria vida, jamais voaria se não estivesse tudo em ordem com a aeronave. O meu lado catastrófico até lembrou de Andreas Lubitz, o copiloto que teria jogado um avião contra os Alpes franceses matando 150 pessoas, em 2015. Entretanto, quando vi o piloto do voo 8101 Paris-São Paulo conversando com vários passageiros, conclui que não se tratava de alguém com instinto suicida. Ele dizia estar ansioso para chegar ao Brasil, ir à loja de materiais de construção para comprar os últimos itens que deixariam sua churrasqueira prontinha para ser inaugurada no sábado, num almoço de família”.

Porém, tudo teve de ser adiado porque o voo acabou sendo cancelado. “Segundo o piloto, em situações de pânico o avião não sai do chão por questões de segurança. E era o pânico que imperava, pois mesmo depois de o comandante ter garantido que poderíamos voar com total segurança, muita gente continuava gritando e pedindo para não decolar. Uma passageira ligou para família no Brasil e recebeu o seguinte conselho: ‘Se insistirem em levantar voo, invada a cozinha do avião e jogue a louça e a comida no chão'”, garantiu Maju.

Em sua frente, um senhor japonês deu um exemplo de serenidade. “No meio de todo esse caos, o japonês Koh Akyama, sentado na minha frente, simplesmente reclinou sua poltrona, cobriu-se com um edredom e dormiu até ser avisado pela aeromoça que teríamos de voltar para o aeroporto, onde retiraríamos a confirmação da reserva de um hotel para passarmos mais um dia em Paris. Sábio Koh Ahyama!”