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A atriz Lilia Cabral deu uma entrevista reveladora para a coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo. Em uma das partes mais tocantes, ela contou sobre a relação conturbada que manteve com o próprio pai, que não aceitava seu desejo de atuar.

“Eu era muito reprimida pelo meu pai. Havia um impedimento de eu ser o que eu gostaria de ser. Eu lembro que eu assistia às novelas e ficava me imaginando o tempo inteiro no lugar da Dina Sfat, da Glória Menezes”, disse. Aos 18 anos, ela decidiu sair de São Paulo e morar no Rio de Janeiro, onde começou a batalhar pelo seu sonho.

“Comecei a ter a minha vida, com todas as dificuldades, mas eu era livre. Não tinha dinheiro para nada, mas não interessava. Eu tava feliz.” Porém, isso atiçou ainda mais seu relacionamento com o pai que disse a ela: “Não quero mais que você entre na minha casa”.

A partir daquele momento, Lilia só conseguia ver a mãe quando combinava um encontro das duas na residência de uma tia. Mas ela descobriu um câncer e a atriz não viu outra opção a não ir contra o que seu progenitor havia dito.

“Mesmo assim, o encontro foi horrível, porque meu pai me culpou pela doença dela. Mas, para não discutir, eu aceitei. Falei: ‘Tá bom, eu sou a culpada. Sou a culpada de tudo'”.

Sua mãe viveria apenas mais seis meses. Mas, apesar do que ouviu, jamais abandonou o pai. Com o tempo, ele começou a ter orgulho do trabalho realizado por Lilia. “A gente entende, a gente perdoa, mas é difícil limpar o coração totalmente. Humanamente, acho que é até normal a gente sentir alguma dor. Poxa, se não tivesse feito isso, a vida da gente poderia ter sido outra”.



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