Canetas emagrecedoras falsas: médico alerta para riscos neurológicos
Caneta ilegal vendida nas redes sociais levou mulher a desenvolver síndrome rara; especialista alerta para danos irreversíveis
atualizado
Compartilhar notícia

A venda de canetas emagrecedoras falsas pelas redes sociais tem preocupado médicos e autoridades de saúde em todo o Brasil. Sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e fora de qualquer controle sanitário, esses produtos ilegais já estão associados a casos graves de internação, problemas neurológicos e até morte. Um dos episódios mais recentes ocorreu em Belo Horizonte, envolvendo uma mulher diagnosticada com uma síndrome neurológica rara após o uso da substância.
Entenda
- Canetas emagrecedoras falsas são vendidas ilegalmente pelas redes sociais.
- Produtos não têm registro na Anvisa nem controle de qualidade.
- Uso pode causar danos graves, incluindo doenças autoimunes e neurológicas.
- Mulher foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré após usar a substância.
A comercialização dessas canetas, muitas delas de origem paraguaia, é feita como uma alternativa rápida e barata para a perda de peso. No entanto, segundo especialistas, o que parece uma solução simples pode esconder riscos severos à saúde. Casos de internação e até o óbito de uma mulher após o uso dessas substâncias ilegais já foram registrados, reforçando o alerta sobre o consumo sem prescrição médica.
O nutrólogo Gustavo Sá, especialista em emagrecimento e CEO do Instituto LongLife, chama a atenção para os perigos do uso de produtos de procedência desconhecida.
“A pessoa simplesmente não sabe o que está injetando no próprio corpo. Pode haver ali um metal pesado, como chumbo ou mercúrio, contaminação com outras medicações, hiperdosagem ou substâncias totalmente irregulares para uso humano”, explica.
De acordo com o médico, os efeitos adversos podem variar desde inflamações leves no local da aplicação até quadros clínicos graves. Entre eles, estão hepatite medicamentosa, lesões no coração, rins e fígado, além de alterações importantes no sistema gastrointestinal, como o íleo paralítico, condição que compromete o funcionamento do intestino.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em Belo Horizonte (MG). Na última sexta-feira (23/1), a mulher de 42 anos foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré (SGB) após apresentar complicações associadas ao uso de uma caneta emagrecedora vendida ilegalmente. Ela estava internada desde o dia 28 de dezembro, com sintomas como urina avermelhada, fraqueza muscular progressiva, insuficiência respiratória e comprometimento neurológico.
Segundo Gustavo, canetas com substâncias irregulares podem desencadear respostas autoimunes severas. “O organismo pode reconhecer aquela substância como um agressor e reagir de forma descontrolada, desencadeando doenças autoimunes graves, como a Síndrome de Guillain-Barré. O espectro de efeitos negativos é muito amplo”, alerta.
Diante desse cenário, médicos reforçam que qualquer tratamento para emagrecimento deve ser realizado de forma legal, segura e com acompanhamento profissional. A promessa de resultados rápidos, segundo os especialistas, não justifica os riscos envolvidos no uso de produtos sem procedência e fora das normas sanitárias.




















