Burnout materno: entenda causas do esgotamento “invisível” das mães

Psicóloga detalha os efeitos do burnout materno e alerta para a urgência de redes de apoio e menos idealização da maternidade

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foto colorida de uma sala brinquetoteca com uma mãe cansada no centro e o filhos correndo
1 de 1 foto colorida de uma sala brinquetoteca com uma mãe cansada no centro e o filhos correndo - Foto: Getty Images

Choro frequente, irritação constante, vontade de “fugir” das responsabilidades. Esses são alguns dos sinais do esgotamento materno, um estado de exaustão física, emocional e mental que atinge um número crescente de mulheres, mas ainda é pouco reconhecido e frequentemente silenciado.

“O burnout materno nasce da sobrecarga da função de cuidar. A mãe se vê pressionada a dar conta de tudo: filhos, casa, trabalho, planejamento da rotina. Quando não consegue, sente culpa, inadequação e até se desconecta emocionalmente dos filhos como forma de autoproteção”, explica a psicóloga Denise Milk.

A especialista alerta que, além das tarefas visíveis, a chamada carga mental invisível pesa de forma desigual sobre as mulheres. “São decisões diárias, como a organização da vida familiar, que geram uma preocupação constante. Tudo isso sem espaço para si mesma.”

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A carga mental invisível (planejamento constante, decisões familiares), acúmulo de funções (trabalho, casa, filhos), falta de tempo para si, e idealizações irreais da maternidade são gatilhos para as mães
A idealização da mãe "perfeita", sempre disponível, paciente e amorosa, cria um padrão inalcançável
O esgotamento materno, também conhecido como burnout materno, é um estado de exaustão física, emocional e mental causado pela sobrecarga associada à função materna
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O esgotamento materno, também conhecido como burnout materno, é um estado de exaustão física, emocional e mental causado pela sobrecarga associada à função materna

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A carga mental invisível (planejamento constante, decisões familiares), acúmulo de funções (trabalho, casa, filhos), falta de tempo para si, e idealizações irreais da maternidade são gatilhos para as mães
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A carga mental invisível (planejamento constante, decisões familiares), acúmulo de funções (trabalho, casa, filhos), falta de tempo para si, e idealizações irreais da maternidade são gatilhos para as mães

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A idealização da mãe "perfeita", sempre disponível, paciente e amorosa, cria um padrão inalcançável
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A idealização da mãe "perfeita", sempre disponível, paciente e amorosa, cria um padrão inalcançável

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A idealização da maternidade perfeita contribui para o esgotamento. “Há uma expectativa social de que a mãe esteja sempre disponível, amorosa e equilibrada. Isso é inatingível. A mulher se sente culpada até por desejar um tempo sozinha”, afirma Denise.

Exemplos disso surgem também entre figuras públicas. A atriz Thaila Ayala já relatou episódios de cansaço e frustração ao lidar com a rejeição do filho mais velho  ou com a dificuldade de atenção dividida entre os dois filhos pequenos. Em outro momento, desabafou sobre o sentimento de impotência ao ver a filha internada enquanto lidava com a pressão externa.

Thaila Ayala e Renato Góes posam com os filhos, Tereza e Francisco, no aniversário da caçula
Thaila Ayala e Renato Góes posam com os filhos, Tereza e Francisco, no aniversário da caçula

“Essas falas revelam o quanto a maternidade real é marcada por dilemas, sobrecarga e ambivalência — e o quanto isso precisa ser normalizado”, pontua Denise.

Os sinais de alerta para o esgotamento incluem dificuldade para dormir, sensação de aprisionamento, autocrítica severa e pensamentos como “não aguento mais”. A psicóloga reforça que esse quadro pode evoluir para depressão, ansiedade e crises de identidade, afetando não só a mãe, mas também os vínculos familiares.

Como lidar com o burnout materno?

Entre as estratégias de enfrentamento, Denise destaca o autocuidado sem culpa, o questionamento de crenças disfuncionais, o estabelecimento de limites e a busca por apoio profissional. “A mãe precisa entender que cuidar de si não é abandono dos filhos, é também uma forma de cuidar deles.”

Ela defende ainda a importância de uma rede de apoio efetiva. “A maternidade não deveria ser solitária. Ter com quem contar, dividir tarefas e desabafar é essencial. Profissionais de saúde, parceiros, familiares: todos precisam acolher sem julgamento.”

Mais que o cuidado individual, Denise acredita que a mudança deve ser cultural. “Precisamos abandonar a narrativa da mãe heroína que tudo suporta. É urgente humanizar a experiência materna e dar visibilidade ao que antes era vivido em silêncio”, encerra.

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