Jovens ficam surdos cada vez mais cedo. Música alta é uma das causas

Segundo a OMS, 43 milhões de pessoas no mundo com idade entre 12 e 35 anos sofre de surdez incapacitante por causa de volume exagerado

atualizado 10/05/2016 19:05

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Da próxima vez que te chamarem e você demorar horas para perceber, pense duas vezes antes de responder com um “devo estar ficando velho”. A perda auditiva, mais do que nunca, é realidade entre os jovens.

Pode agradecer a gadgets minúsculos capazes de reproduzir sons quase na mesma potência de sistemas complexos de som e aos fones de ouvido cada vez mais potentes – mais som, menos ruído, mas menos audição também. Acredite, você pode até adorar ouvir sua banda favorita no último volume enquanto corre na academia, mas os médicos garantem que não vai demorar muito até você se arrepender desse hábito.

Segundo o otorrinolaringologista Bruno Loredo, do hospital Santa Luzia, a partir dos 65 anos já espera-se algum grau de perda auditiva, natural do tempo. Jovens de 17 anos, no entanto, com problemas de sono por causa de zumbidos no ouvido, já são sinal dos novos tempos. “Aumentou muito a quantidade de jovens hoje com perda de audição, que é muito maior do que antigamente”.

E o problema: como os sintomas são silenciosos, os pacientes demoram anos até perceberem que já não escutam tão bem assim. Uma pesquisa recente realizada pela Med-El, empresa austríaca de implantes auditivos, mostrou que a maioria da população desconhece completamente causas, sintomas e prevenção da perda da audição. Ainda segundo a pesquisa, metade dos entrevistados afirmou só procurar um médico quando apresenta dificuldade em ouvir. Outros 17% disseram que só marcariam uma consulta se não ouvissem absolutamente nada.

 

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A perda de audição é progressiva e lenta. Começa em sons agudos, que pouco usamos no dia a dia. Provavelmente por isso continuamos ouvindo música no volume máximo como se não houvesse amanhã. “As primeiras perdas costumam acontecer em frequências um pouco mais altas – 4 ou 5 mil hertz. A conversação humana, por exemplo, fica entre os 500 e os 2 mil hertz. Por isso demoramos a perceber o problema”, explica o otorrinolaringologista Gustavo Torres.

Até a Organização Mundial da Saúde está em alerta. Segundo a OMS, cerca de 1 bilhão de jovens no mundo todo correm o risco de perder a audição em função do hábito de ouvir música em volume alto. Os países desenvolvidos, a situação é mais grave:mais de 43 milhões de pessoas entre 12 e 35 anos já sofrem de surdez incapacitante. E a má notícia é: não tem mais volta.

O problema é irreversível. Quando estamos expostos a barulho alto, lesamos a células ciliadas da cóclea, e elas não se regeneram mais. Não tem tratamento para perda auditiva.

Gustavo Torres, otorrinolaringologista

Como consequência, aos 35 anos algumas pessoas já apresentam perdas muito mais significativas do que as que as gerações passadas tinham com a mesma idade. A prevenção passa por saber a hora de desligar o som e maneirar na regulagem do volume.

Confira algumas dicas dos especialistas para prevenir a perda precoce da audição:

  • Prefira fones de ouvido do tipo headphone e fuja daqueles que são colocados dentro do canal auricular. Eles empurram a cera para dentro do canal, prejudicando ainda mais a audição.
  • Na hora de medir o volume adequado, use este critério: o som nunca pode impedir que você escute o que se passa do lado “de fora”. Se alguém falar com você e você precisar tirar os fones para entender, o volume já oferece riscos à sua audição.
  • Outra medida é manter o volume sempre na metade do máximo.
  • Evite ficar por horas seguidas ouvindo música alta. Para se ter uma ideia, o recomendado para um barulho de 85 decibéis é de oito horas por dia. Mas 3 horas a 100 decibéis já podem ser prejudiciais.

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