Crudivorismo, o estilo de vida de quem só come alimentos crus

O hábito é traduzido por termos como "alimentação viva" ou "comida viva" e geralmente vem de adeptos do veganismo

atualizado 19/10/2016 19:00

IStock

O estilo de vida conhecido por crudivorismo (ou por “alimentação viva” e “comida viva”) consiste em uma dieta de consumo exclusivo de alimentos não cozidos. A prática baseia-se na teoria enzimática de absorção de alimentos. Para os crudívoros, é preciso equilibrar a absorção enzimática do corpo humano e com a dos alimentos.

A nutricionista Isabella Duarte, especialista em dietas vegetarianas e veganas na clínica Nut’Tree, já foi crudivorista e explica que as enzimas são peças chave de qualquer digestão e/ou absorção de processos alimentares no corpo humano.

“Se nós temos vitaminas e nutrientes essenciais em um alimento, só iremos conseguir ‘quebrar’ o alimento no intestino e realmente absorver nutrientes por meio das enzimas do corpo em conjunto com as naturais da comida”, explica.

O crudivorismo baseia-se ainda na teoria de que alimentos cozidos, fritos ou assados a mais de 42ºC passam por um processo que altera a composição dos nutrientes oferecidos e inativa as enzimas naturais presentes.

“Seguindo essa teoria, toda vez que comemos um alimento que não tem essa ‘vida’, temos que usar todas as enzimas presentes no corpo, o que causa extrema sobrecarga, podendo desencadear doenças crônicas. Portanto todo o consumo é feito ‘in natura'”, explica Isabella.

O crudivorismo vem da evolução do vegetarianismo e veganismo. Boa parte dos adeptos do estilo de vida não consomem 100% alimentos ‘in natura’. “Se comemos uma cenoura, por exemplo, e ela estiver crua, teremos uma grande fonte de fibras e isso é bom. Mas ao mesmo tempo, se a submetermos ao vapor, conseguimos absorver melhor a pró-vitamina A. Então, é uma teoria cheia de prós e contras”, esclarece a nutricionista.

Isabella foi 100% crudivorista por três meses. Para ela, foi um tratamento pessoal de desintoxicação do corpo. “Aos poucos fui voltando a comer outros alimentos”, completou. Ela ressalta que essa dieta pode não ser ideal para todo mundo.

“O tipo físico e a genética influenciam muito no tratamento alimentar. Pessoas com porte muscular maior, naturalmente, conseguem processar bem uma dieta crudivorista desde que seja acompanhada e trabalhada com muita atenção ao lado de um profissional. Já para uma pessoa que tenha deficiência de nutrientes, excesso de magreza ou algum tipo de problema em ganhar massa muscular não é recomendado que se adote 100% essa dieta.”

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Prós e contras

A adoção de uma dieta restrita ao cru mantém nos alimentos uma série de vitaminas e fitonutrientes que previnem doenças crônicas e podem melhorar a função celular. Outro ponto positivo é a clorofila, que gera oxigenação celular e ainda ajuda no processo de equilíbrio ácido do corpo. Tudo isso contribui para um melhor funcionamento físico, pois gera mais energia.

Isabella faz uma ressalva: a digestão pode se tornar um problema. No crudivorismo é comum consumir sementes germinadas de feijão, lentilha e grão de bico, que não têm boa digestibilidade. “Quando cozidos, o corpo digere bem melhor esses alimentos específicos”, explica Isabella.

Há poucas pesquisas a respeito do crudivorismo. Teorias como a Terapia de Gerson, estudos sobre enzimas e digestão são utilizados para tentar entender os benefícios e os problemas desse hábito alimentar. A Terapia de Gerson, por exemplo, propõe o tratamento do câncer por mecanismos de cura do nosso próprio corpo, estimulados pelas enzimas de alimentos.

Nessa teoria e na proposta do médico Edward Howell, um dos principais pesquisadores de enzimas, afirma-se que a falta dessas enzimas na comida cozida é ainda uma das maiores razões do envelhecimento e morte precoce.

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