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Ao entrar no box de CrossFit (nome dado ao espaço montado para a atividade) encontramos barras, caixas de madeira e argolas suspensas. Mas na aula exclusiva para crianças, os pesos e halteres continuam guardadas em um canto. Nas mãos dos pequenos aprendizes apenas leves tubos de PVC.

Há algum tempo, a atividade inspirada em treinamentos militares caiu no gosto dos brasileiros e começou a disputar espaço e clientes com academias. Os circuitos são pesados e pode-se perder até 800 calorias por aula. Talvez por isso, quando pensamos em CrossFit ainda venha uma imagem “bruta” em nossa mente.

Mas para angariar adeptos de 3 a 13 anos, os professores da modalidade criaram o CrossFit Kids com aulas mais leves e lúdicas.

 Felipe Menezes/Metrópoles

“Trabalho com esse público há cinco anos. A criança não é um miniadulto. É um ser humano em desenvolvimento. Muita gente tem preconceito, assusta, mas antes deveriam entender como funciona. A modalidade ajuda a melhorar a capacidade cardiorrespiratória e também estimula a parte neurológica, cognitiva e motora”, explica a professora de CrossFit Waya Rari Nascimento, de 25 anos.

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Bela e Miguel, ambos de 8 anos, treinando com a professora Rari

Ela explica que para se tornar coach (treinador) infantil é preciso ter a certificação, não pode ter histórico criminal – investigam toda a vida pregressa do candidato –, e fazer o curso específico com duração de dois dias – parte teórica e prova escrita.

As turmas têm no máximo cinco alunos por professor e sempre começam com aquecimento, geralmente feito em forma de brincadeira, depois a parte técnica, com tubos de PVC, que ensina movimentos e postura, e finaliza com algum jogo. A ideia é abordar tudo de forma lúdica, pedagógica e divertida.

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Parede motivacional do CrossFit Waya

 

De acordo com a ortopedista pediátrica Mariana Ferrer, o CrossFit para crianças é bem diferente da versão para adultos. A criança vai descobrir habilidades com exercícios divertidos e motivadores.

“A atividade deve ser feita de maneira que estimule o movimento, o gosto por esportes, o relacionamento com outras crianças e ajude na saúde. A criança não deve levantar pesos. Os movimentos são básicos e, normalmente, a criança executa sem dificuldades: sentar, levantar, empurrar, arrastar, agachar, entre outros”, detalha a especialista.

Mariana acredita que o foco principal é abandonar o sedentarismo e ter gosto por esportes. E sobre a preocupação principal dos responsáveis, ela tranquiliza: “Se for feito com cuidado e orientação de um profissional capacitado, não haverá danos para a criança – a não ser que ela tenha algum problema de saúde. Nesse caso, deverá ser avaliada por um pediatra ou ortopedista antes de iniciar a prática de qualquer exercício físico”.

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Isabela Viana e Miguel Santos Moreira

 

Crianças e pais aprovam
A empresária Camila Viana, 36 anos, é crossfiteira de carteirinha. Levou o marido, Israel, para o “vício” e em seguida foi a vez da filha experimentar a atividade. Isabela tem 8 anos, já fez natação e dança, mas há quatro meses trocou tudo pelo CrossFit.

“Quando abriu a turma Kids eu me informei, vi que não tinha peso e ela veio fazer a aula experimental. Hoje em dia já faz duas vezes por semana e adora. Percebo que ela está comendo bem, o corpo fisicamente está melhor  – nada de músculos, só era muito magrinha –, a postura melhorou. Sem contar que é supertímida e quando chega aqui se sente capaz”, conta Camila.

 Felipe Menezes/Metrópoles

Miguel e Isabela durante o treinamento

A pequena fala que consegue notar muita diferença de quando começou: “Aprendi vários exercícios legais, dou cambalhota, pulo corda. Temos alguns materiais em casa e mesmo fora eu gosto de praticar. É muito legal”.

Miguel, também de 8 anos, gosta do fato dos amiguinhos não conhecerem a atividade. “Tenho que explicar e conto que coloco a perna na parede, que cansa muito. Aliás, gosto mesmo quando saio bem cansado. Aí, sim, é bom”, diz enquanto recupera o fôlego. “E não desisto até conseguir. Pode demorar, mas uma hora eu consigo”, finaliza orgulhoso.

A mãe, Aparecida Clelia dos Santos, 44 anos, conta que o filho preferiu sair do futebol para treinar CrossFit. “Ele acha que aqui tem mais novidade”, entrega a professora. Ela percebe que a consciência corporal e a coordenação motora do filho melhorou, sem falar na autoestima.

“Ele gosta muito de ler, trabalha a parte intelectual e a parte física ficava pra trás. Miguel não é magrinho, mas agora rebate comentários explicando que é forte – e está mais forte mesmo”, diz Aparecida.

 

Onde encontrar CrossFit Kids
Selecionamos alguns lugares que oferecem aulas para os pequenos:

 



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