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“Nosso ideal é ressaltar a beleza do paciente, e não padronizar os tratamentos estéticos”, resume o dermatologista Luiz Perez, à frente do Espaço Mira, em São Paulo. Em parceira com o grupo de produtos e serviços estéticos Merz, o profissional realizou, na quarta-feira (08/05/2019), um bate-papo descontraído para discutir tendências de beleza e procedimentos estéticos.

Luiz critica a popularização dos MD Codes, que funcionam como uma receita de bolo de quanto produto aplicar e onde. O resultado é que as mulheres acabam ficando todas com o mesmo rosto. “Sou totalmente contra. Não é a proposta mais interessante. A gente não tem de impor ideais de beleza ou formatos iguais para todos os rostos.Temos de adequar ao rosto da paciente, trabalhar com a forma como a luz incide na face e, com um mínimo de produto necessário, gerar um resultado harmônico”, defende.

Quando se fala em estética, o dermatologista aponta que é comum vir essa imagem de perfeição sem marca. “As mulheres aparecem nas fotos sem nenhum poro. É a beleza mais asséptica e sem graça. Não é isso que eu busco. Ter a pele impecavelmente lisa e cheia de colágeno não é sinônimo de beleza. As pessoas também estão mudando de mentalidade. Se a pessoa tem 60 anos, ela quer ser bonita, não aparentar ter 30”, conta.

Procedimentos estéticos para a beleza natural
Discutindo as formas de trabalhar com estética de forma natural, Luiz apresentou o Xeomin (composto por toxina botulínica A), voltado para modelar a região da sobrancelha. Esse elemento é o famoso botox, mas a fórmula tem um diferencial: é a única toxina livre de complexos proteicos do mercado.

“Ou seja, você só está aplicando o agente de paralisação do músculo. Todas as outras marcas têm pedaços de bactérias, o que não apresenta nenhum risco, mas pode criar uma resistência ao produto. Então, pode ser que ele deixe de reagir porque o corpo cria anticorpos para se defender desses pedaços de bactéria”, explica Luiz.

O grupo ainda desenvolveu o GRID 21, técnica que marca 21 pontos na testa onde o botox pode ser aplicado. Os pontos serão escolhidos de acordo com as metas do paciente (arquear a sobrancelha, etc), mas não necessariamente todos serão utilizados. O método dá um efeito mais natural ao resultado, sem a face marcada, algo frequentemente associado ao botox. O reagente demora de 48 horas a 72 horas para fazer efeito.

Outro produto indicado por Luiz Perez é o Radiesse, um bioestimulador que funciona como um lifting, estimulando o colágeno e recuperando a firmeza da pele. “A gente injeta e ele vai atrair células para induzir a produção de colágeno e elastina. Tudo que a gente usa de creme no rosto tentando produzir colágeno é equivalente a uma aplicação, promovendo uma produção aumentada durante um ano”, compara.

O dermatologista aponta que essa é uma boa alternativa para práticas estéticas que abusam da aplicação de preenchimento. Apesar de ser mais comum o uso no rosto e nas mãos, Luiz garante que serve para o corpo inteiro, ajudando no combate à celulite, flacidez de abdômen, cicatrizes, entre outros. Ele recomenda, principalmente, para pacientes com a pele muito branca e homens que não querem preenchimento.

“Ele faz o tratamento global da face. Não está ali para preencher uma ruga, tratar uma área específica. A ideia é espalhar o produto para ter um resultado bem natural. Não queremos encher a pessoa de preenchimentos, mas melhorar a textura da pele. Serve muito bem para pessoas que queiram desenhar a mandíbula”, revela.

Para quem busca os lábios perfeitos, o Belotero, composto por hialuronato de sódio, é a pedida ideal. Ele atua definindo as bordas da boca, aumentando o volume, projetando o corpo do lábio e fornecendo sustentação estrutural, combinação que deixa um ar mais natural após o procedimento.

“Por ele se adequar ao tecido que está em volta, eu posso fazer uma aplicação extremamente superficial, com um ótimo resultado e sem o risco de ficar aparente. O paciente não vai ficar sentindo bolinhas onde foi aplicado”, explica. O Belotero também serve para disfarçar olheiras, preencher fissuras e simular o desenho do osso zigomático, na parte superior do rosto, dando a aparência do look top model, similar ao efeito proposto com a bichectomia.

A recomendação de Luiz é que pacientes a partir de 30 anos, que sintam necessidade, comecem a fazer esses procedimentos como forma de prevenção, evitando cirurgias plásticas e tratamentos invasivos posteriormente. A maioria dos tratamentos tem recuperação imediata, necessitando apenas evitar exercícios físicos no dia, e devem ser feitos anualmente. A sessão (com avaliação e aplicação) dura cerca de 40 minutos. Os valores são a partir de R$ 1.400.

A repórter viajou a São Paulo a convite da marca