Zero açúcar: influenciadora Ary Mirelle choca com resultados do método
Caso de Ary Mirelle reacende debate sobre os efeitos de cortar açúcar e como o corpo muda após a redução de doces e ultraprocessados
atualizado
Compartilhar notícia

A influenciadora Ary Mirelle chamou atenção nas redes sociais ao revelar as mudanças percebidas depois de passar um mês sem consumir açúcar. Casada com o cantor João Gomes, a jovem de 24 anos compartilhou imagens comparando o antes e depois da experiência — e reacendeu um debate que cresce cada vez mais entre quem busca mais disposição, melhora na pele e hábitos alimentares mais equilibrados.
Embora a transformação estética tenha sido o que mais chamou atenção dos seguidores, os impactos de reduzir o açúcar vão muito além da aparência. Segundo a nutricionista e colunista do Metrópoles Juliana Andrade, o organismo começa a reagir rapidamente quando o excesso de açúcar sai da rotina.
O corpo sente falta do açúcar nos primeiros dias
A mudança alimentar pode provocar sintomas logo no início. Irritabilidade, cansaço, dor de cabeça e vontade intensa de comer doces são reações comuns durante a adaptação.
Isso acontece porque o açúcar estimula áreas cerebrais ligadas ao prazer imediato. Quando esse estímulo diminui, o organismo leva alguns dias para reorganizar os níveis de energia e saciedade. Apesar do desconforto inicial, especialistas afirmam que essa fase costuma ser temporária.
Mais energia e menos sensação de cansaço
Uma das principais mudanças relatadas por pessoas que reduzem o açúcar é a melhora da disposição diária. Sem grandes oscilações glicêmicas, o corpo passa a manter níveis de energia mais constantes. Isso reduz aquela sensação de “apagão” ao longo do dia e diminui a dependência de café ou outras fontes rápidas de estímulo.
Ver essa foto no Instagram
Segundo Juliana Andrade, a estabilização da glicose também ajuda a controlar episódios de fome exagerada e compulsão alimentar.
Pele mais bonita e menos inflamação
O caso de Ary Mirelle também levantou comentários sobre mudanças visíveis na aparência. E existe explicação para isso.
O consumo excessivo de açúcar favorece processos inflamatórios no organismo, que podem refletir diretamente na pele. Acne, aumento da oleosidade e sinais precoces de envelhecimento costumam ser agravados por uma alimentação rica em açúcar adicionado.
Ao reduzir doces, refrigerantes e ultraprocessados, a pele tende a ficar mais equilibrada e com aspecto mais saudável.
Açúcar em excesso afeta até o cérebro
Estudos já associam o consumo exagerado de açúcar a dificuldades de concentração, alterações de humor e piora no desempenho cognitivo.
Uma revisão científica publicada na revista Nutrients, em 2024, analisou 77 estudos sobre açúcar e cognição e encontrou associação entre o consumo elevado de açúcares adicionados e maior risco de prejuízos cognitivos ao longo do tempo.
Quando a alimentação fica mais equilibrada, muitas pessoas percebem melhora no foco, no raciocínio e na clareza mental. A estabilidade glicêmica ajuda o cérebro a funcionar de maneira mais eficiente ao longo do dia.
Intestino também pode funcionar melhor
De acordo com a nutricionista, outro efeito importante da redução do açúcar aparece no funcionamento intestinal. Isso porque dietas ricas em produtos ultraprocessados costumam alterar o equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo inflamações e desconfortos digestivos.
“Quando a pessoa diminui o excesso de açúcar e aumenta o consumo de alimentos naturais, o intestino tende a funcionar melhor. Isso impacta não apenas a digestão, mas também a imunidade e até o humor”, explica.
Sono pode melhorar após reduzir doces
Juliana Andrade também destaca que muita gente percebe mudanças na qualidade do sono depois de diminuir refrigerantes, sobremesas e bebidas açucaradas.
Segundo ela, os picos rápidos de glicose podem interferir na produção hormonal e provocar mais agitação durante a noite. Com níveis de açúcar mais equilibrados no sangue, o organismo consegue entrar em um ritmo mais estável de descanso.
“É comum que as pessoas relatem menos despertares noturnos e uma sensação melhor ao acordar depois de algumas semanas reduzindo açúcar”, afirma.
O paladar também muda com o tempo
Outro ponto destacado pela especialista é a adaptação do paladar. Segundo ela, depois de algumas semanas consumindo menos açúcar, muitos alimentos extremamente doces passam a causar estranhamento. Isso acontece porque o cérebro reduz gradualmente a necessidade daquela recompensa intensa provocada pelo açúcar refinado.
“Com o tempo, a pessoa começa a perceber melhor o sabor natural dos alimentos e deixa de precisar de doses tão altas de açúcar para sentir prazer ao comer”, completa a nutricionista.
Especialistas alertam que o principal excesso de açúcar da alimentação moderna não costuma vir apenas das sobremesas, mas das bebidas industrializadas.
Refrigerantes, cafés prontos, sucos artificiais, energéticos e achocolatados concentram altas quantidades de açúcar e são apontados como um dos primeiros itens que deveriam ser reduzidos. Além disso, o ingrediente aparece escondido em alimentos considerados “inofensivos”, como molhos prontos, iogurtes, cereais matinais e pães industrializados.
Não é preciso cortar tudo de uma vez
Apesar do exemplo de Ary Mirelle ter repercutido justamente pela decisão radical de passar um mês sem açúcar, mudanças graduais costumam ser mais sustentáveis. A redução progressiva permite que o paladar se adapte sem provocar tanta sensação de privação. Com o tempo, o organismo também passa a diminuir naturalmente a busca constante por doces.
O resultado pode aparecer não só no espelho, mas também na energia, na qualidade do sono, no humor e na saúde como um todo.












