Barulho em casa: veja técnicas de arquitetura e decór para resolvê-lo

Aprenda alternativas para diminuir o ruído incômodo dos grandes centros urbanos que entra na sua casa

atualizado 08/04/2021 18:34

Getty Images

Morar em um grande centro urbano pode parecer sinônimo de conviver com uma sinfonia de ruídos externos — desde um elevador barulhento, o vaivém dos carros nas avenidas movimentadas, o freio dos ônibus e o festival de buzinas, até o som alto das ambulâncias cortando as ruas da cidade.

Se, antes da pandemia, o lar era um santuário de descanso após um longo dia, com o distanciamento social e a implementação do home office, a preocupação se intensificou. De acordo com a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), as reclamações relacionadas a barulhos dentro de condomínios aumentaram 300% por mês, em relação a períodos antes da pandemia.

Tamanho incômodo tem uma explicação fisiológica. O excesso de ruídos pode causar desde estresse e ansiedade até outros problemas de saúde, como alterações no sono, hipertensão e problemas cardiovasculares.

“Antes do início da pandemia, a poluição sonora já era considerada a segunda maior causadora de doenças por motivo ambiental, atrás somente da poluição do ar”, explica Marcela Monteiro, engenheira acústica da Aubicon, empresa associada à Archademy.

sinal proibido buzinar

No entanto, já que cada indivíduo possui as próprias sensibilidades, o que é sinal de incômodo para um, pode passar despercebido pelo outro. O barulho da obra do vizinho e os sons da rua movimentada que entram pela janela também são captados de maneira diferente.

Isso se explica porque o sofrimento, embora comum, tem origens e soluções diferentes. Existem dois tipos de ruído: o aéreo, que se propaga pelo ar — como uma música alta ou o som de um avião passando — e o de impacto, mais complexo, transmitido pela estrutura do edifício, como passos no andar de cima ou marteladas na parede.

Como promover o isolamento acústico

Caso você não aguente mais ser incomodado pela movimentação externa ou pela obra no apartamento do lado, entenda que algumas soluções da arquitetura e da engenharia podem trazer alívio aos seus ouvidos.

“Para reduzir esses ruídos, nós precisamos primeiro entender qual é a fonte do problema considerado e de onde ele é proveniente”, explica Marcela Monteiro.

1. Janelas antirruído

No caso dos sons provenientes da rua, a profissional aconselha a aplicação do artifício que irá dificultar a entrada do barulho para dentro da área interna. Algumas dessas opções acústicas conseguem diminuir até 50% do ruído que vem da rua.

Existem, ainda, alternativas no mercado que são instaladas sobre a janela existente, sendo uma ótima opção para apartamentos. Em edifícios comerciais, também há a possibilidade de implementação dos vidros duplos.

pessoa na janela com máscara

2. Contrapisos flutuantes

Caso você esteja considerando a possibilidade de reformar, os ruídos transmitidos estruturalmente a partir de um pavimento superior, como o toc-toc do salto alto, objetos caindo, academias em funcionamento, e o arrastar de cadeiras na mesa de jantar, podem ser resolvidos com o “uso de mantas acústicas de borracha aplicadas em um contrapiso flutuante, até mesmo abaixo do revestimento final para reduzir esses barulhos incômodos”, sugere.

3. Cuidado com os forros decorativos

Outro detalhe importante quando o assunto é conforto acústico, de acordo com Martha Ishikawa, engenheira de projetos da A.Yoshii, são os forros decorativos.

“Na instalação de luminárias ou outros recursos audiovisuais, como televisão ou som, por exemplo, é necessário cuidado ao executar aberturas no forro para que esse fechamento seja vedado, evitando que o ruído passe de um ambiente para o outro. Além disso, forros acústicos ajudam na atenuação principalmente dentro do próprio ambiente”, reforça.

4. Chapas afastadas da parede

Entre os elementos que têm o poder de impedir a transmissão de ruídos, a arquiteta Ana Karolina Magalhães, da PHF Arquitetura, elenca a utilização de chapas de madeira e estofados na parede, deixando um espaço oco entre eles, como uma solução para absorver sons menores.

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Técnicas simples de decór

Quem está em busca de investir em elementos de decór para promover o condicionamento acústico, que trata não dos barulhos externos e sim dos sons gerados no próprio ambiente, pode investir em materiais “absorvedores”, como explica a engenheira Martha Ishikawa.

Entre eles estão os elementos de tecidos, como móveis mais almofadados, cortinas, estofados e tapetes. Isso tudo ajuda a reduzir a reverberação do próprio ambiente.

“Superfícies lisas, como vidros, espelhos, paredes pintadas, reverberam mais o som, enquanto que revestimentos com tecido, por exemplo, ajudam a absorver as frequências de ondas sonoras, O ideal é utilizar misturar esses dois tipos de elementos para proporcionar o conforto acústico”.

Na hora de escolher um lar

Se você está buscando um novo lugar para morar e a propagação de ruídos é uma preocupação sua, a engenheira explica que ainda não há fórmula mágica. Porém, escolher bem a hora da visita pode ser um ponto fundamental para saber como é a rotina no apartamento. Por exemplo, se você está em home office, prefira visitas no horário mais movimentado.

Segundo Marcela Monteiro, a preocupação dos edifícios com o uso de materiais acústicos tem crescido muito nos últimos anos e muitas construtoras têm tido a preocupação em entregar apartamentos com um certo nível de conforto acústico para os seus clientes.

“Antes de adquirir seu apartamento, consulte a construtora ou incorporadora sobre o atendimento da norma de desempenho e o que você deve esperar no seu novo lar”, orienta.

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