Antiga fruta de quintal volta aos pomares; veja qual é e os benefícios
Nativa do Brasil, a fruta atrai pelo resgate nostálgico, uso no paisagismo produtivo e propriedades medicinais e nutricionais
atualizado
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A guabiroba, fruta nativa do Brasil encontrada naturalmente no Cerrado e na Mata Atlântica, está deixando o status de “fruta esquecida” para se tornar a nova queridinha em quintais, chácaras e projetos de paisagismo produtivo. O movimento de reconexão com a terra tem atraído desde o público mais maduro até jovens urbanos interessados em sustentabilidade pelo hábito nostálgico de “comer no pé”.
Além de reconquistar espaço nos pomares e vasos de jardins, a planta — cujo nome significa “árvore da casca amarga” em tupi — desperta o interesse de especialistas devido ao potencial de seus óleos essenciais e ao seu valor na nutrição funcional como um verdadeiro superalimento.
Entenda
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Características da planta: da mesma família da goiaba, jabuticaba e pitangueira, a guabiroba possui folhas com cheiro cítrico e canforado, flores brancas aromáticas e frutos amarelos e adocicados quando maduros.
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Cultivo doméstico: o botânico Guilherme Ceolin explica que a árvore, que pode passar de 10 metros na natureza, aceita o cultivo em quintais e vasos grandes, desde que passe por podas regulares de contenção.
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Propriedades medicinais: os óleos essenciais extraídos de suas folhas funcionam como anti-inflamatórios e antioxidantes, além de serem aplicados na aromaterapia para relaxamento e desobstrução das vias aéreas.
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Benefícios nutricionais: a nutricionista Cibele Santos aponta que o fruto é rico em fibras e possui ação anti-inflamatória, além de uma superdose de vitamina C e flavonoides que combatem os radicais livres.
Para quem deseja realizar o plantio em ambientes residenciais, o botânico Guilherme Ceolin detalha os cuidados técnicos necessários. “A guabiroba deve ser plantada em covas não menores que 40 x 40 cm, para o correto desenvolvimento de suas raízes”, ensina. Segundo ele, o solo precisa ser bem drenado, abundante em matéria orgânica e posicionado em local que receba sol direto por pelo menos 6 horas diárias.
As regas devem ocorrer a cada dois dias logo após o plantio, podendo ser espaçadas quando a planta se estabelecer e ultrapassar os 30 centímetros. Ceolin destaca que a guabiroba resiste bem à seca, mas exige solo sempre úmido na floração. “A produção de frutos normalmente acontece após o 3º ou 4º ano de plantio”, complementa o botânico, lembrando que o tamanho em locais restritos pode ser limitado a 6 metros com as podas corretas após a frutificação.

Do ponto de vista da saúde, a fruta apresenta características estruturais e de sabor marcante. De acordo com a nutricionista Cibele Santos, ela tem uma polpa suculenta e gelatinosa com casca firme.
“Ela possui um sabor doce marcante, com uma acidez equilibrada e um leve toque adstringente”, diz.
Santos compara o alimento a uma mistura de goiaba, pitanga e araçá, destacando seu papel no fortalecimento imunológico, na síntese de colágeno, na proteção cardiovascular e no equilíbrio da microbiota intestinal.
Na culinária e no consumo diário, a guabiroba se mostra versátil para quem a colhe diretamente do pé ou a adquire com produtores locais. A nutricionista afirma que ela pode ser ingerida in natura, que é a forma clássica e mais rica em nutrientes, ou transformada em geleias artesanais e compotas, aproveitando a alta presença de pectina natural para dar consistência. Outras opções incluem sucos funcionais, mousses, sorvetes de cozinhas autorais e licores. Até mesmo o chá feito a partir da infusão de suas folhas é aproveitado na cultura popular por suas propriedades digestivas.













