Alimentação saudável: comer bem custa menos do que você pode imaginar
Dados do IBGE e nutricionista desmistificam o alto custo da dieta e provam que comida de verdade pesa menos no orçamento
atualizado
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A ideia de que manter uma dieta equilibrada é um privilégio financeiro tornou-se um dos principais obstáculos para quem deseja mudar de hábitos. No entanto, o cenário desenhado por indicadores oficiais e especialistas em nutrição revela o oposto: o prato feito com alimentos frescos pode ser mais barato que o consumo de ultraprocessados. Segundo a nutricionista Paola Rampinelli, a barreira não é apenas o preço, mas a falta de planejamento. “Tudo o que você precisa está na feira e no açougue. Você não precisa de itens mirabolantes”, afirma.
Entenda
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Custo diário: dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) indicam que o custo médio de uma dieta saudável no Brasil é de aproximadamente R$ 12 por pessoa/dia.
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Ultraprocessados vs. in natura: o Guia Alimentar para a População Brasileira mostra que basear a dieta em alimentos frescos é financeiramente mais vantajoso que consumir produtos industrializados prontos.
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O “custo fitness”: produtos rotulados como “zero”, “low carb” ou suplementos desnecessários são os verdadeiros responsáveis por encarecer o carrinho de compras.
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Fator planejamento: a falta de organização nas compras e o desperdício de alimentos impactam mais o orçamento do que o valor das hortaliças e grãos em si.

Mitos e verdades sobre o acesso à comida de qualidade
Para a nutricionista Paola Rampinelli, é preciso separar a “dieta da moda” da nutrição real. Um dos grandes mitos é que a alimentação saudável exige ingredientes importados ou específicos. Na prática, a combinação clássica de arroz, feijão, ovos e legumes da estação constitui uma base nutricional completa e com valor amplamente disponível e acessível no mercado brasileiro.
Por outro lado, é verdade que o marketing da indústria “fitness” distorce a percepção de custo. Itens como snacks proteicos e produtos sem glúten (quando não há necessidade clínica) elevam o gasto sem oferecer benefícios proporcionais à saúde.
“Uma alimentação equilibrada deve ser construída com alimentos simples e locais”, reforça a especialista.
Estratégia de mercado e cozinha
Segundo a especialista, a logística doméstica é a maior aliada do bolso. O planejamento — que envolve organizar a lista de compras, escolher frutas da época e preparar refeições em casa — evita o recurso ao delivery, que costuma ser mais caro e nutricionalmente inferior.
Outra tática fundamental para otimizar o tempo e o dinheiro é o preparo em maior escala: cozinhar grãos e proteínas para a semana e armazenar em porções reduz a tentação de consumir industrializados rápidos.

“A alimentação adequada é uma questão de prioridade e informação. Pequenas mudanças, como reduzir ultraprocessados e cozinhar mais, já melhoram a dieta sem aumentar os gastos”, conclui Rampinelli.
Dessa forma, desconstruir a crença de que comer bem é caro é o primeiro passo para democratizar a saúde, provando que a “comida de verdade” ainda é o melhor investimento para o brasileiro.














